Luís Filipe Menezes apresentou esta segunda-feira, no Hilton Porto Gaia, a sua recandidatura à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, desta feita encabeçando uma coligação entre PSD, CDS e Iniciativa Liberal, sendo o seu mandatário o prestigiado engenheiro e professor universitário, Poças Martins. O ex-autarca lançou um programa que ambiciona construir 4.000 habitações com rendas acessíveis e controladas, 40% das quais situadas no interior e sul do concelho, almejando combater o despovoamento e promover a coesão territorial.

A seu lado estará Paulo Rangel, atual ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que aceitou ser o candidato à presidência da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia. “Não é fácil, hoje em dia, encontrar um ministro da República que aceite ser candidato a uma Assembleia Municipal”, afirmou Menezes, realçando a importância simbólica e política da sua presença na equipa.

No seu discurso, Menezes destacou que a recandidatura resulta de um pedido de “centenas de pessoas”, incluindo líderes de opinião, dirigentes partidários e cidadãos comuns. A decisão, sublinhou, foi tomada “com tempo e com ponderação” e pretende iniciar um “novo ciclo de desenvolvimento”.
O ex-autarca rejeitou ataques pessoais e focou-se no futuro: “Não iremos diabolizar o passado. Só passa a vida a denegrir o passado quem não tem nada para propor para o futuro”. Reiterou o compromisso com uma “cidade exemplar em transparência e democracia” e com uma política de inclusão.

Entre as propostas do programa, Menezes anunciou a atribuição de 600 bolsas de estudo para estudantes do ensino superior a partir de 2026, com o critério de não reprovação. “Em Gaia, seremos mais exigentes: 600 bolsas, mas é proibido reprovar de ano”.
A juventude terá ainda acesso a 200 estágios remunerados por ano em serviços e empresas municipais, bem como às creches gratuitas em todas as freguesias, até ao fim do mandato.
O projeto prevê também a criação de dois campus universitários residenciais, com 250 unidades cada, localizados no centro urbano. Estes equipamentos incluirão zonas de estudo, ginásios e restaurantes, com o objetivo de reforçar a centralidade e a identidade da cidade.

No plano da mobilidade, o candidato propõe a criação de uma empresa de transportes de capitais mistos como alternativa ao modelo atual, que classificou como “fracassado e inaceitável”. Aponta também para dois planos de emergência de circulação urbana, com prioridade para o Centro Histórico, onde defende a reordenação do trânsito.
Logo na primeira semana de mandato, promete a reabertura da Avenida da República ao trânsito com duas faixas, e o restabelecimento da circulação no tabuleiro inferior da Ponte Luiz I, entre Gaia e Porto.
Na vertente urbanística, o candidato compromete-se a uma reforma digital nos processos de urbanismo, permitindo que qualquer munícipe possa acompanhar em tempo real o estado do seu pedido. Propõe ainda a transmissão online de todas as sessões da Assembleia Municipal, auditorias externas regulares e a institucionalização da figura do provedor do munícipe.
O programa contempla medidas de discriminação fiscal positiva para o interior e sul do concelho, e o relançamento de equipamentos públicos, como piscinas nas freguesias de Avintes, Oliveira do Douro e Vilar do Paraíso.
No domínio cultural, Menezes quer avançar com a Casa das Artes na Casa Barbot, o Museu das Pontes Edgar Cardoso, uma orquestra sinfónica municipal e a deslocalização do festival Marés Vivas para o interior do concelho.
A segurança também mereceu destaque, com a promessa de reforço da vigilância, cooperação com PSP e GNR e reorientação da polícia municipal para a prevenção da delinquência. “Quem anda anonimamente pelos jardins da cidade, como eu, vê que pessoas de bem não se podem sentir seguras. Isso vai mudar”, afirmou.
Inspirado pelo modelo parisiense da “Cidade de 15 minutos“, o candidato quer lançar dois projetos-piloto que garantam acesso a serviços essenciais num raio reduzido. Um dos projetos será implementado no Centro Histórico e o outro numa freguesia do interior.
A cooperação com o Porto é descrita como “inevitável”. Menezes defende a necessidade de novas ligações entre margens, incluindo a Ponte do Tribunal, um projeto anteriormente desenvolvido com o engenheiro Adão da Fonseca, presidente da comissão de honra. Prevê ainda uma agenda comum de animação do Rio Douro e mais eventos intermunicipais, ao exemplo do São João.

A finalizar, Menezes fez um apelo à mobilização de todos os gaienses: “Quero ao nosso lado todos os que têm orgulho em ser gaienses, pertençam ao partido que pertençam. Todos os que acreditam numa Gaia com mais justiça, mais inclusão e mais futuro têm lugar neste projeto”.
OC/RPC

Editor Adjunto, Eng. Eletrotécnico e Aluno da Licenciatura em Gestão do Património Cultural







