Conheci a Maria Alice em eventos literários e iniciei a leitura de alguns dos seus trabalhos. Neles encontro uma linguagem poética que exalta os sentimentos e pensamentos.
Maria Alice Sarabando nasceu em 1952, em Lombomeão, concelho de Vagos, distrito de Aveiro. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Foi professora de Filosofia durante algum tempo, e de Estudos Sociais/História de Portugal e Português, no 2º Ciclo do Ensino Básico.
É autora de livros nos géneros: conto infantil, poesia, conto e romance.
O registo literário de Alice Sarabando leva-nos a mergulhar nos diversos veios da própria existência. Por lá nos reencontramos e refletimos sobre as nossas próprias lutas e glórias, alegrias e desassossegos.
A sua poesia impulsiona-nos até à intimidade do poema onde mora, a voz, o eco, os anseios e esperanças. Neste género destaco, “Eros e Agape” e “Um Fio Atravessa o Mar”.

Neste último, apresentado em 2024, Maria Alice Sarabando refere, “Os poetas visitam-se e falam dos lugares que visitaram. Amiúde, descobrem que percorreram as mesmas veredas, desbravaram matagais semelhantemente emaranhados, enfrentaram tempestades de igual furor, se aventuraram por idênticos mistérios. Por vezes, um simples verso, vindo de longe ou de tempo antigo, ilumina a existência.”
A versatilidade da autora leva-a a escrever para um público mais jovem, tendo editado Pakhlavan Makhmud (infantil) e os romances juvenis “Eu só vejo cores” e “Ângulo Giro” (estes em coautoria com Lília Gisela Cipriano).
Também contista
Tem ainda os livros de contos: “O Jardim de Casa” e “Pó na Ventania”. Areia, romance em coautoria com Gisela Simões, conta uma história enraizada na Gândara litoral.
Em “Pó na Ventania”, Alice põe-nos frente a frente com sentimentos e inquietações comuns à experiência dos humanos: ternura, raiva, ironia, desalento, arrogância, perplexidade face à morte… Como “puzzle” que, concluído, oferece uma paisagem cuja globalidade não descortinávamos à partida.

Sorriremos, enternecer-nos-emos, odiaremos, lembraremos infância, amor, luto. Deambularemos por espaços díspares, alguns talvez desconhecidos.
Diz-nos a autora que se inspira um pouco em tudo: em episódios de vida quotidiana, objetos, as palavras (que, em si mesmas, podem ser objeto de reflexão e pesquisa).
A escrita sempre esteve presente na sua vida: “aprendi a escrever, precisei de escrever por muitas razões e em muitas circunstâncias; mas aquela ideia de escrita literária, isto é, uma arte que se pode praticar com vista a um aperfeiçoamento expressivo, é algo de tardio.” – disse a autora
Maria Alice Sarabando escreve mais prosa do que poesia, como se pode ver pela lista dos seus livros publicados acima referidos.
“Gostaria que sobre mim alguém pudesse dizer o que eu própria digo num poema intitulado Epitáfio (em Um fio atravessa o mar, Lugar quinto: sal)”.
Aqui jaz
quem usou o pensamento como rodo
sempre ugando, sempre rendo o que sentia
Aqui jaz
quem como sal no pão, indiferenciado
sempre andou aglutinado com a vida
Professora e Escritora







