Há cinco anos, uma infeção nas pernas levou a que tivesse de as amputar. Enquanto a sua mulher foi viva, tinha apoio. Com o seu falecimento, Manuel Truta ficou sozinho, numa cadeira de rodas e sem apoios. Com uma reforma de pouco mais de 300 euros, precisa dos vizinhos e amigos para tudo. Se não tiver quem o leve aos locais onde precise de deslocar-se, está totalmente impossibilitado de ir à casa de banho, fazer a higiene e, em certos momentos, alimentar-se.
Dorme à entrada de casa, quando não tem quem o leve para dentro.
A situação é dramática e, segundo Manuel Truta, “A Segurança Social não faz nada, só querem ver se a minha casa tem condições de higiene; vivo da reforma que são trezentos e poucos euros, nada mais. Não tenho qualquer subsídio. A minha mulher faleceu e a minha vida andou para trás.”

Já teve uma cadeira elétrica, oferecida por uma pessoa amiga, mas depois de terem-lhe roubado o carregador da bateria, teve de deixar de utilizar.
Agora, a cadeira manual que utiliza, tem os pneus furados, impossibilitando-o de deslocar-se sem ajuda; até porque, devido aos dois AVC’s de que sofreu, o braço esquerdo ficou sem força para empurrar as rodas da cadeira.
Felizmente, enquanto gravávamos a declaração de Manuel Truta, uma vizinha apercebeu-se e já lhe ofereceu uma cadeira manual com os pneus cheios. E assim, da caridade alheia, vai levando os seus dias.
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Reportagem OC: Vítor Lima com edição áudio de Filipe Romariz.
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