Hoje não vos trago flores nem versos meigos para adormecer consciências.
Hoje a palavra vem com arestas, com fome, com nomes que ninguém chama.
Há ruas cheias de gente invisível, há pratos vazios em mesas constituídas, há silêncios que gritam mais alto do que qualquer discurso bonito.
E nós, onde estamos nós no meio disto tudo?
A poesia não é fotografia. Não é adorno. É ferida aberta que se recusa a fechar.
A poesia é confronto.
Escreve-se com a urgência de quem sabe que calar também é escolher um lado.
Que cada verso seja um espelho, onde ninguém se reconhece por inteiro porque há sempre um outro que ficou de fora. Hoje, que a poesia não peça licença.
Que entre pelas portas fechadas, que incomode, que desarrume.
E se for preciso, que seja grito.
Porque há dias em que a beleza não basta.
Professora e Escritora














