Guerra Na Ucrânia – A batalha pela liberdade no Ocidente trava-se em Pokrovsk

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Os animais, as crianças e os idosos são os que mais sofrem
Foto de YAN DOBRONOSOV. D.R

Na madrugada de sábado, dia 18 de Janeiro, as sirenes tocaram freneticamente por todo o território da Ucrânia. Começou a “stress” de correr para os abrigos, mas dando sempre prioridade aos mais idosos e às crianças. Os russos dispararam dezenas de mísseis e enviaram muitos drones a Kiev, sobretudo a periferia de Kryvyi Rih. Os serviços médicos do exército ucraniano declararam quatro civis mortos e mais umas dezenas de feridos. Alguns em estado grave.

Para além de Kiev, as Forças Armadas da Federação Russa lançaram novos ataques contra objetos da Federação Russa na parte ocupada da Ucrânia. O objectivo destas acções é gerar pânico nas populações e acusar os ucranianos destes ataques.
Os russos atacaram a estação de radar Nebo-SVU na região ocupada de Kherson, bem como o Buk-M3 complexo e a estação de radar S-300 do sistema de defesa aérea 9С32M no território temporariamente ocupado da região de Donetsk.

Com o apoio de legionários estrangeiros os ucranianos travam o avanço russo em Pokrovsk
Foto de YAN DOBRONOSOV.DR

Em Zaporizhzhia, a Catedral de Santo André do Patriarcado de Moscovo foi danificada como resultado do ataque matinal das tropas russas. Mas os generais russos culpabilizam os ucranianos por esse ataque. Joga-se o jogo do rato e do gato. E os serviços secretos ucranianos continuam a dizer que os responsáveis pela Igreja Ortodoxa na Ucrânia continuam a espalhar a confusão e a dar abrigo a cidadãos e informadores pró-russos.

Apesar de alguns comentadores pró-russos, nos diferentes media ocidentais, declararem que as tropas de Putin já tomaram conta da cidade de Pokrovsk. O fotojornalista do Telegraf, Yan Dobronosov, que se encontra na cidade com as tropas ucranianas, fez questão de esclarecer que “isso trata-se apenas de propaganda russa, porque esta cidade estratégica para as tropas de Putin, continua a ser defendida pelos soldados ucranianos e estrangeiros”.

Nas trincheiras luta-se pela liberdade do Ocidente
Foto de YAN DOBRONOSOV. D.R

A propaganda do Kremlin parece estar a surtir efeito fora do território ucraniano, mas a verdade é que em Pokrovsk luta-se pela liberdade e a democracia no mundo Ocidental.

É verdade que o cenário no campo de batalha é dantesco. Existem centenas de mortos de ambos os lados. Espalhados por todas as trincheiras.

Em Pokrovsk e na região russa de Kursk ocupada pelos ucranianos, os combates são de uma violência extrema. E os drones continuam a matar os soldados mais distraídos e sem experiência.

Está a ser muito difícil efectuar com sucesso missões humanitárias. Nomeadamente socorrer militares feridos em combate e resgatar os mortos do campo de batalha. O risco é muito elevado para socorristas e médicos.

Há cada vez menos pessoas em Pokrovsk: algumas estão a ser evacuadas, mas os habitantes mais idosos recusam-se a abandonar a cidade e procuram esconder-se em lugares seguros. Na periferia da cidade encontram-se centenas de cães e gatos que ficaram para trás. Para além das crianças e idosos doentes e com dificuldades de mobilidade, os animais são os que mais sofrem com o stress de guerra e dos combates.

Yan Dobronosov esteve na linha de frente e mostrou ao mundo através das suas imagens como a cidade se encontra. Muitos prédios altos e casas particulares foram danificados. Algumas vivendas foram completamente destruídas pela violência dos combates.

“A cidade está um caos: prédios totalmente e casas reduzidas a escombros, um mínimo de pessoas nas ruas e árvores caídas ao longo das estradas principais. As explosões e os disparos são constantes e percebe-se que a distância entre os russos e ucranianos dá para perceber que é bem curta. Mas os militares ucranianos com a ajuda de legionários estrangeiros estão a fazer das tripas coração para segurar Pokrovsk!”, afirmou Dobronosov.

Segundo o fotojornalista, houve mais bombardeios na cidade, são mais barulhentos do que há um mês, mesmo durante o dia. Durante seu trabalho, Dobronosov notou dois UAVs, um dos quais era um drone FPV. “Restam poucos civis na cidade, como se pode pode confirmar pelas fotos. Na parte central da cidade não se vê ninguém. Pokrovsk parece uma cidade assombrada”.

Pokrovsk está há muito tempo sem água, eletricidade e aquecimento. “Nem sei como é que as pessoas conseguem resistir sem estes bens fundamentais. Mas a verdade é que muitos deles construíram abrigos e vão suportando esta barbárie que ficará na história das batalhas mais renhidas e ferozes da região Donestk.”

A parte central da cidade, perto da estação ferroviária, foi a que mais sofreu com os bombardeamentos russos. A linha férrea do “Leste”, que foi destruída no Outono, caiu literalmente sobre os trilhos. Existem muitos carros danificados e abandonados nas estradas. Uma das fotos de Dobronosov mostra que as árvores também foram derrubadas. Talvez seja uma estratégia para preparar as posições defensivas.

Enquanto ambas as partes envolvidas continuam a lutar pela conquista de mais território, do outro lado do Atlântico preparam-se as cerimónias para a tomada de posse de Donald Trump, como Presidente dos Estados Unidos da América.

É verdade que existe uma certa expectativa para que russos e ucranianos se voltem a sentar à mesa de negociações, mas só a partir de segunda-feira, é que se vai saber quais são os planos de Trump para pôr um ponto final na guerra da Ucrânia.

Muitos países da União Europeia já começam a ficar saturados com o apoio à Ucrânia. Mas os Estados Bálticos e sobretudo a Polónia, vão continuar a sacrificar as suas economias para tentar aniquilar os russos.

Resta saber que poção mágica tem Trump para a guerra da Ucrânia. Se é que tem.

José Peixe ( enviado especial de O Cidadão) com Yan Dabronosov/Telegraf

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