Geometria da Escalada

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Ações militares diretas, eliminação de liderança política, retaliação. A questão deixou de ser diplomática. Não vamos estar aqui a repetir cronologias. Interessa compreender o que este confronto aberto com o Irão significa.

Sempre que um conflito envolve potências com capacidade tecnológica avançada e alcance regional alargado, o risco está na possibilidade de expansão. Numa frente adicional. Um aliado que entra. Uma resposta que poderá exceder o cálculo inicial.

A economia é quem sente o impacto de tudo isto.

Os mercados financeiros não avaliam as intenções morais. Avaliam a probabilidade de instabilidade prolongada. Quando a probabilidade aumenta, o capital exige compensação. Os prémios de risco sobem. O financiamento torna-se mais seletivo. O investimento abranda.

O mundo já vivia num delicado equilíbrio. Dívida pública elevada nas economias mais avançadas. Crescimento frágil na Europa. Desaceleração estrutural na Ásia. Bancos centrais condicionados pela recente inflação. Introduzir uma escalada militar aberta neste contexto é um fator multiplicador. É o mundo em que vivemos.

A morte da liderança suprema iraniana é um ponto de inflexão estratégica pois os regimes sob ameaça existencial não operam com a mesma tolerância ao risco que os regimes estáveis. Quando a sobrevivência está em causa, a lógica altera-se ou deixa mesmo de existir. Se houver expansão indireta deste conflito, seja através de aliados regionais ou de ações assimétricas, o impacto deixa de ser delimitado geograficamente. Aumenta a volatilidade financeira, naturalmente. Cresce a procura por ativos considerados seguros. As exposições aos mercados emergentes sofrem reavaliações.

Não estou a dramatizar. É simplesmente o comportamento racional a reagir perante a incerteza.

Os bancos centrais enfrentam agora um dilema. Se a escalada alimentar a instabilidade cambial ou as pressões indiretas nos preços, a margem para aliviar as condições monetárias diminui. Um ambiente de juros persistentemente elevados combinado com tensão geopolítica prolongada é um travão ao investimento produtivo. Esta é a realidade.

A guerra pode ser travada num espaço delimitado. O risco económico não…

Quando a escalada se torna plausível e recorrente, a previsibilidade desaparece. E sem previsibilidade, a confiança retrai-se. As empresas adiam decisões estratégicas. Os investidores exigem retorno adicional para compensar a incerteza. Os Estados pagam mais para se poderem financiar.

O conflito pode não evoluir para uma guerra global declarada. Esperemos o melhor. Mas se se transformar num estado permanente de tensão aberta, o impacto será cumulativo, naturalmente.

A economia global não precisa de paz absoluta. Precisa de um horizonte que não esteja enevoado por decisões tomadas sob pressão extrema.

Portanto, não interessa quem ganhou a última operação mas sim, quem consegue restaurar um mínimo de previsibilidade antes que a escalada deixe de ser um evento e passe a ser condição. Porque quando a incerteza se instala como normalidade, o crescimento deixa de ser ambição e passa a ser resistência.

E resistir nunca foi estratégia de prosperidade.

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