A cidade de Guimarães volta a ser um dos centros nevrálgicos da arte têxtil contemporânea com a realização dos Peninsulares 2025 – 5ºs Encontros Ibéricos de Arte Têxtil Contemporânea, que decorrem de 28 de junho a 2 de agosto. A iniciativa estende-se também à cidade galega de Pontevedra e assume como tema central “Modos de Ver”, um ponto de partida para questionar as formas como a natureza é percebida e representada.
Exposições, residências artísticas, Textile Talks e workshops vão ocupar diversos espaços culturais vimaranenses, como o Palacete Santiago – Museu Alberto Sampaio, Garagem Avenida, Convento de Santo António dos Capuchos e os Ateliers e Fornos da Cruz de Pedra, numa programação que pretende fortalecer o intercâmbio artístico entre Portugal e Espanha, a partir de uma tradição têxtil partilhada.
O projeto é promovido pela Ideias Emergentes/Contextile (Portugal) e Indigo Proyectos (Espanha) e tem como objetivo desconstruir fronteiras clássicas e criar novos fluxos de conhecimento, cooperação e criação, centrados na linguagem da arte têxtil contemporânea.
Inspirando-se na obra “Ways of Seeing” de John Berger, “Modos de Ver” pretende questionar a perceção moderna da natureza e relembrar uma relação mais integrada entre o ser humano e o ambiente. Na nota de apresentação, sublinha-se que “a espécie humana se habituou a ver a natureza como algo exterior e estranho, quando na realidade faz parte dela”.
A mesma nota destaca ainda que “somos natureza, mas a sociedade humana industrial/digital perdeu a ligação com a Terra e com as restantes espécies que a habitam, que considera meros fornecedores de matérias-primas”. O texto recorda que “não era assim nas sociedades agrárias que praticavam uma relação holística com o seu ambiente natural, em que os ritmos de vida seguiam os ritmos circulares das estações e das colheitas”.
Com esta edição dos Peninsulares, reafirma-se o papel da arte têxtil como meio artístico em sintonia com os paradigmas contemporâneos, incluindo a valorização da manualidade, do pensamento ecológico e da descentralização cultural. Através da colaboração entre instituições portuguesas e espanholas, o evento pretende ainda afirmar a arte têxtil como linguagem crítica, capaz de propor alternativas e criar novas formas de ver o mundo.
PROGRAMA
EXPOSIÇÃO DE ARTE TÊXTIL CONTEMPORÂNEA
Palacete Santiago_Museu Alberto Sampaio | Garagem Avenida
28 junho a 2 agosto | 2ª a 6ª das 10h às 17h gratuito
Uma exposição de arte têxtil contemporânea irá mostrar o trabalho de um grupo de 10 artistas de Espanha e Portugal que irão trabalhar em torno do tema «Modos de ver». Curadoria de Lala de Dios e Cláudia Melo.
Artistas espanholas: Alexandra Knie, Paula Bruna, Pilar Sala, Raquel Buj, Sara Coleman.
Artistas portugueses: António Jorge, Inês Neto, Ines Norton, Maria Appleton, Rita Gaspar Vieira.
RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS
Ateliers Cruz de Pedra | Convento Sto Antonio dos Capuchos
28 junho a 2 agosto | 3ª a sábado das 10h as 17h
Duas artistas em residência (uma portuguesa e uma espanhola) – 9 a 27 junho -, desenvolvem uma criação artística colaborativa em contexto, nos Ateliers Fornos da Cruz de Pedra. O seu trabalho será apresentado no Convento Sto António dos Capuchos, em forma de exposição e instalação. Artistas Irene Trapote (ES) e Joana BC (PT).
TEXTILE TALKS
Convento Sto António dos Capuchos
28 junho, 18h
Conversas sobre a arte têxtil ibérica atual e seus desafios de futuro e «Modos de ver». Moderado por Lala de Dios, Cláudia Melo, comissárias e diretoras artisticas do universo têxtil. Participação dos artistas envolvidos no PENINSULARES, entre outros.
WOKSHOPS
Ateliers Fornos Cruz de Pedra | 29 junho, 9h30 – 16h
Peninsulares Educação é uma parte do programa que os organizadores sempre consideraram fundamental e ainda mais nesta edição na qual a Escola de Arte de Guimarães da Universidade do Minho e a Faculdade de Belas Artes de Pontevedra, da Universidade de Vigo são parceiros estratégicos.
Workshops: “Como fazer papel vegetal”, por Pilar Sala | “Redes de Pesca”, por Irene Trapote
OC/JJS







