De acordo com o mais recente Dils Recap, as estratégias core e core plus concentraram mais de 80% do volume investido, evidenciando a preferência dos investidores por ativos estáveis e de elevada qualidade. Os setores de retalho e hotelaria destacaram-se como os mais atrativos, representando, conjuntamente, 76% do volume transacionado, cada um com 38%.
“Estes resultados do primeiro trimestre confirmam a resiliência e a atratividade do mercado imobiliário português, mesmo num contexto de maior incerteza global. Assistimos a um mercado cada vez mais seletivo, em que a qualidade dos ativos, a localização e os fundamentais de ocupação são determinantes nas decisões de investimento, em todos os segmentos de negócio. Portugal continua a posicionar-se como um destino seguro e competitivo, com uma procura transversal aos vários setores e sustentada por tendências estruturais como a flight to quality e a crescente profissionalização do mercado”, destaca Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal.
Hotelaria: 89 novas aberturas
O setor hoteleiro manteve um arranque de ano positivo em 2026, sustentado pela forte procura turística e pelo reforço contínuo da oferta. Nos últimos 12 meses, Portugal registou cerca de 82 milhões de dormidas, refletindo o crescimento sustentado do setor, com destaque para os mercados do Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, este último com a evolução mais expressiva (+5%).
No primeiro trimestre, foram inaugurados 89 novos hotéis, acrescentando cerca de 758 quartos ao stock nacional, estando prevista a entrada de mais 4.500 quartos até ao final do ano, o que confirma o atual ciclo de expansão.
Ao nível operacional, verifica-se uma ligeira estabilização das taxas de ocupação nos principais destinos turísticos, acompanhada por uma subida contínua do ADR, refletindo a capacidade do setor em sustentar valor. O Porto e o Algarve destacaram-se com crescimentos próximos de 2% no RevPAR, enquanto Lisboa manteve um desempenho globalmente estável.
Escritórios
O mercado de escritórios iniciou 2026 com um volume de investimento de 40,5 milhões de euros, uma quebra de 54% face ao período homólogo e com uma tendência dominante ao nível da seletividade dos investidores. O interesse continua concentrado em ativos prime, bem localizados e suportados por sólidos fundamentos de ocupação, num ambiente em que as “yields” ( medidas) se mantêm estáveis nos 5%. Em paralelo, a subida das rendas e a perspetiva de valorização futura estão a impulsionar, em alguns casos, a opção por owner-occupation, reforçando uma nova dinâmica no mercado.
O mercado de escritórios de Lisboa registou uma absorção de 28.913 m². Apesar de representar um volume cerca de 80% inferior ao registado no período homólogo, a procura manteve-se particularmente dinâmica nos edifícios de nova geração, evidenciando a tendência de flight to quality.
No Porto, a ocupação de escritórios totalizou 7.150 m² no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 67% face ao período homólogo e sinalizando uma recuperação expressiva após 2025 ter sido particularmente moderado.
A Zona Empresarial do Porto concentrou mais de 60% do take-up, impulsionada pelos novos edifícios concluídos, nomeadamente o Viva Offices, responsável pelas maiores ocupações do trimestre, refletindo o peso crescente de edifícios novos e localizações prime.
Investimento em industrial e logística acelera
O setor industrial e logístico ultrapassou os 150 milhões de euros de investimento no primeiro trimestre, registando o crescimento mais expressivo face ao período homólogo. A dinâmica foi impulsionada pela crescente atratividade dos Data Centers, destacando-se a transação do Data Center da Covilhã, que marcou o trimestre.
O segmento industrial e logístico registou um arranque do ano mais cauteloso, com uma absorção de 65.000 m² no primeiro trimestre, uma quebra de 16% face ao período homólogo, particularmente visível na Grande Lisboa. Uma desaceleração que resulta do atual contexto do aumento dos custos de transporte e da subida das rendas, levando muitos operadores a adiar decisões de expansão ou relocalização.
Apesar desta desaceleração na procura, os fundamentais do mercado mantêm-se sólidos, suportados por um pipeline expressivo e pelo crescente interesse em ativos ligados à logística e data centers.
Do lado da oferta, foi concluído um ativo da Logicor em Canelas com 21.400 m², estando prevista atá ao final do ano a conclusão de mais de 590.000 m², onde estão incluídos projetos relevantes como o Panattoni Park Lisbon-City, Malveira Prime Logistics e Barrão Hub.
Apesar do atual desequilíbrio entre oferta e procura, as rendas prime mantiveram-se estáveis em 5,50€/m²/mês em Lisboa e 5,75€/m²/mês no Porto.
Retalho: Centros comerciais registam crescimento de 10% nas vendas
O setor do retalho registou um volume de investimento de 340 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, com os centros comerciais a concentrarem 67% do total, refletindo o forte desempenho operacional e o interesse contínuo dos investidores em ativos dominantes. Com um crescimento recorde de 10% no volume de vendas em 2025 face ao ano anterior, o mercado dos centros comerciais conta atualmente com um stock de 111 ativos em Portugal, estando previstos mais 10.500 m² adicionais, sobretudo associados à expansão do Colombo e à nova fase do Vila do Conde Outlet. A forte procura pelos melhores ativos continua a sustentar a renda prime nos 130€/m²/mês e a prime yield nos 6,25%.
Os retail parks mantiveram igualmente a sua relevância, representando 22% do investimento total, beneficiando do seu posicionamento ligado à conveniência e à estabilidade de rendimento. O mercado integra atualmente 56 ativos, com seis novos projetos em pipeline que representam mais de 77.000 m². Neste segmento, a renda prime situa-se nos 13€/m²/mês e a prime “yield” nos 6,75%.
No comércio de rua, Lisboa e Porto continuam a atrair novas marcas e conceitos. Em Lisboa, destacaram-se as aberturas da Primor e da La Dolceria aRoma, no Chiado, bem como da La Fresería, na Baixa. Já no Porto, registaram-se novas aberturas da Fábrica da Nata e da La Freseria na Rua de Santa Catarina. As rendas prime mantiveram-se estáveis nos 140€/m²/mês em Lisboa e nos 85€/m²/mês no Porto, enquanto as yields prime também permaneceram inalteradas, refletindo a confiança dos investidores no segmento.
Já o retalho alimentar contabiliza atualmente 2.267 unidades, com renda prime de 15€/m²/mês e prime yield de 6,00%, enquanto o segmento de stand alone stores soma 631 ativos em operação, com renda prime de 11€/m²/mês e “prime yield” de 6,75%.
Mercado residencial pressionado pela escassez de oferta
O mercado residencial mantém um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura, com a venda de seis casas por cada habitação concluída, mantendo a pressão ascendente sobre os preços. A procura permanece resiliente, sobretudo suportada por compradores nacionais, ainda que com decisões mais cautelosas e maior seletividade.
Em Lisboa, a procura permanece sólida, sustentada sobretudo pela procura nacional, embora os processos de decisão se revelem mais cautelosos devido ao contexto económico e às condições de financiamento. Zonas como Avenidas Novas, Miraflores, Oeiras e Carcavelos continuam a concentrar forte procura, especialmente para projetos bem posicionados.
O valor médio dos novos empreendimentos em Lisboa fixa-se atualmente nos 7.429€/m², refletindo uma ligeira quebra trimestral de 2%, enquanto os preços do mercado de usados continuam em crescimento. Em Cascais, o valor prime atinge os 12.000€/m² e nas Avenidas Novas os 10.500€/m².
No Porto, o valor prime manteve-se estável face ao final de 2025. Foz do Douro, Nevogilde, Cedofeita, Baixa e Matosinhos Sul continuam entre as zonas mais valorizadas, com valor prime na ordem dos 6.500€/m². O preço médio dos novos empreendimentos situa-se atualmente nos 4.834€/m², representando uma subida trimestral de 2%.
A região de Tróia, Comporta e Melides continua igualmente a registar um aumento significativo da procura, impulsionando novos projetos residenciais direcionados aos segmentos médio e médio-alto. O valor prime varia entre os 4.000€/m² em Alcácer do Sal e os 15.000€/m² em Melides, Carvalhal e Pego.
No Algarve, o mercado residencial continua a ser impulsionado pela forte procura e pela escassez estrutural de oferta, embora com comportamentos distintos entre as regiões. O Algarve Central e Oriental registam maior crescimento, enquanto o Barlavento apresenta maior estabilização. O valor prime varia entre os 5.500€/m² em Portimão e os 14.000€/m² na Quinta do Lago.














