O mesmo céu noturno, a mesma mesa e o seu “Hurricane” (gostava da explosão cítrica e tropical). Aprendeu a gostar desse drink quando viveu nos Estados Unidos. Vem todas as noites, chega cedo para relaxar do dia conturbado. Acalma-o o murmúrio do mar.
Foi na tranquilidade daquele bar, à beira-mar, que observou o seu sorriso tímido e suave, esculpido num rosto moreno. Ainda eram os únicos no local. Entreolharam-se e Clara perguntou se o assento ao seu lado estava livre. Ela emanava uma quietude que há muito não sentia.
Conversaram sobre coisas simples — livros, músicas e lugares. A conversa prazerosa fluiu entre risadas e silêncios aconchegantes, como se fossem amigos que se reencontravam após algum tempo. Trocavam olhares inibidos e deixavam que a lua lhes inundasse os rostos com a serenidade que o momento pedia.
À medida que a noite avançava, entre os goles cítricos de “Hurricane” e a espontaneidade de ambos, descobriam que tinham mais em comum do que imaginavam: sonhos, paixões e até mesmo pequenas inseguranças. Sentiam-se cada vez mais à vontade um com o outro.
O tempo parecia parar ali, naquela praia, naquele mar, naquela noite; tudo se conectava para um encontro único e especial.
A noite chegava ao fim e a despedida parecia inevitável, como uma promessa silenciosa de que aquele momento não seria o último. Guardavam no olhar cada detalhe, cada silêncio, cada sorriso. Ambos sentiam que poderia ser o começo de uma história — uma história que, mesmo na despedida, antevia esperança num reencontro.
Como pode ser simples e belo um encontro num bar à beira-mar, sob uma noite enluarada!
Quantas histórias começam com uma conversa inesperada e sorrisos soltos!
Às vezes, o mar enrola na areia e traz à memória momentos inesquecíveis.
Professora e Escritora














