Cantar das Janeiras: Ranchos Folclóricos mantêm viva tradição portuense

"O Cantar das Janeiras é um pequeno apontamento de tradicionalidade portuense," explicou o responsável pelo evento, referindo-se aos cantares e às danças tradicionais que os ranchos típicos do Porto perpetuam de geração em geração.

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A tradição do Cantar das Janeiras regressou este sábado à Câmara Municipal do Porto, reunindo oito grupos de ranchos folclóricos da cidade. Um momento de celebração da cultura popular portuense que, apesar dos desafios, continua a ecoar pelas ruas da cidade.

O evento foi organizado pela Ágora Portuguesa Porto, empresa municipal responsável pela geração de atividades culturais na capital nortenha. Jorge Alves, produtor na instituição, sublinhou a importância de iniciativas como o Cantar das Janeiras e a Roda dos Ranchos, ambas expressões de uma tradição que se estende muito para além da simples performance musical.

Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

O Cantar das Janeiras é um pequeno apontamento de tradicionalidade portuense,” explicou Jorge Alves, referindo-se tanto aos cantares como às danças tradicionais que os ranchos típicos do Porto perpetuam de geração em geração.

Um compromisso de 69 anos com a tradição
Entre os grupos presentes, destaca-se o Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Campanhã, Porto, que completou há pouco tempo quase sete décadas de existência. Paulo Cardoso, presidente da coletividade, reafirmou o propósito que move o grupo há décadas.

Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

O motivo é cantar as janeiras à cidade do Porto, tentando manter a tradição por muitos mais anos,” disse Cardoso, evidenciando o compromisso que move o rancho todos os anos, “sempre com todo o gosto.”

No entanto, quando questionado sobre o estado atual da tradição, Cardoso não escondeu as preocupações. “A tradição está a desaparecer um bocadinho,” reconheceu, apontando um problema estrutural: o envelhecimento dos membros do grupo.

Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

O desafio das novas gerações

A questão da rejuvenescência do rancho é particularmente delicada. Embora o grupo tenha mantido as portas abertas a elementos de todas as idades, a realidade é diferente.

Aparecem mais pessoas com mais idade do que as mais novas,” confessou Cardoso, revelando um padrão que se estende para além do seu grupo.

Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

Apesar disso, o dirigente não desiste do desafio. Com 28 anos à frente da presidência da coletividade, Cardoso tem mantido um apelo constante à juventude, quer seja proveniente do interior do rancho, quer de fora.

Nós chamamos sempre pela juventude, seja de seja de onde for. Venham participar, tragam novas energias para que possamos manter a tradição do nosso grupo,” disse Cardoso, deixando bem claro que a continuidade da tradição depende, em grande medida, da capacidade de atrair sangue novo.

Uma tradição que resiste

O Cantar das Janeiras permanece como um dos rituais mais emblemáticos da cidade do Porto, onde a música, a dança e o vestuário tradicional continuam a transportar os portuenses para raízes profundas da cultura popular portuguesa. Os ranchos folclóricos são guardiões de um património imaterial que, apesar dos desafios modernos, insistem em permanecer vivo.

Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

Enquanto grupos como o Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Campanhã, Porto continuam a fazer ecoar as janeiras pelas ruas do Porto, fica bem patente a mensagem: a tradição não desaparece por acaso. Ela sobrevive porque há pessoas como Paulo Cardoso e os seus companheiros dispostos a trabalhar para a sua continuidade.

O apelo está feito. Falta apenas que a juventude portuense responda.

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