Cantar das Janeiras: Ranchos Folclóricos mantêm viva tradição portuense

A tradição do Cantar das Janeiras regressou este sábado à Câmara Municipal do Porto, reunindo oito grupos de ranchos folclóricos da cidade. Um momento de celebração da cultura popular portuense que, apesar dos desafios, continua a ecoar pelas ruas da cidade.
O evento foi organizado pela Ágora Portuguesa Porto, empresa municipal responsável pela geração de atividades culturais na capital nortenha. Jorge Alves, produtor na instituição, sublinhou a importância de iniciativas como o Cantar das Janeiras e a Roda dos Ranchos, ambas expressões de uma tradição que se estende muito para além da simples performance musical.

“O Cantar das Janeiras é um pequeno apontamento de tradicionalidade portuense,” explicou Jorge Alves, referindo-se tanto aos cantares como às danças tradicionais que os ranchos típicos do Porto perpetuam de geração em geração.
Um compromisso de 69 anos com a tradição
Entre os grupos presentes, destaca-se o Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Campanhã, Porto, que completou há pouco tempo quase sete décadas de existência. Paulo Cardoso, presidente da coletividade, reafirmou o propósito que move o grupo há décadas.

“O motivo é cantar as janeiras à cidade do Porto, tentando manter a tradição por muitos mais anos,” disse Cardoso, evidenciando o compromisso que move o rancho todos os anos, “sempre com todo o gosto.”
No entanto, quando questionado sobre o estado atual da tradição, Cardoso não escondeu as preocupações. “A tradição está a desaparecer um bocadinho,” reconheceu, apontando um problema estrutural: o envelhecimento dos membros do grupo.

O desafio das novas gerações
A questão da rejuvenescência do rancho é particularmente delicada. Embora o grupo tenha mantido as portas abertas a elementos de todas as idades, a realidade é diferente.
“Aparecem mais pessoas com mais idade do que as mais novas,” confessou Cardoso, revelando um padrão que se estende para além do seu grupo.

Apesar disso, o dirigente não desiste do desafio. Com 28 anos à frente da presidência da coletividade, Cardoso tem mantido um apelo constante à juventude, quer seja proveniente do interior do rancho, quer de fora.
“Nós chamamos sempre pela juventude, seja de seja de onde for. Venham participar, tragam novas energias para que possamos manter a tradição do nosso grupo,” disse Cardoso, deixando bem claro que a continuidade da tradição depende, em grande medida, da capacidade de atrair sangue novo.
Uma tradição que resiste
O Cantar das Janeiras permanece como um dos rituais mais emblemáticos da cidade do Porto, onde a música, a dança e o vestuário tradicional continuam a transportar os portuenses para raízes profundas da cultura popular portuguesa. Os ranchos folclóricos são guardiões de um património imaterial que, apesar dos desafios modernos, insistem em permanecer vivo.

Enquanto grupos como o Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Campanhã, Porto continuam a fazer ecoar as janeiras pelas ruas do Porto, fica bem patente a mensagem: a tradição não desaparece por acaso. Ela sobrevive porque há pessoas como Paulo Cardoso e os seus companheiros dispostos a trabalhar para a sua continuidade.
O apelo está feito. Falta apenas que a juventude portuense responda.