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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026

12. A vida não pára na quinta sessão: oito mil passos depois da quimioterapia

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Sexta-feira. Quinta sessão de quimioterapia. Cheguei ao hospital pelas 08:45h da manhã, saí de lá às 12:00h da tarde. Vim para casa completamente destroçado, deitei-me e acordei já de noite. Parecia que tinha levado uma tareia monumental.
Mas deixa-me contar-te o resto da história.

O sábado que ninguém esperava

No dia seguinte, acordei bem-disposto. Sim, leste bem: bem-disposto. Fiz a minha vida normal, decidi dar uma caminhada e ainda consegui fazer uns trabalhos para jornal. No final do dia? Oito mil passos no contador.
Oito mil passos. No dia seguinte à quinta sessão de quimioterapia.
Isto não é para me gabar. É para te dizer uma coisa importante: a quimioterapia traz efeitos secundários, sim, mas conseguimos levar a vida ao nosso ritmo e fazer aquilo que mais gostamos.

Conseguimos fazer mais do que pensamos

Olha, vou ser honesto: quando saí do hospital na sexta, não estava a pensar em caminhar coisa nenhuma no dia seguinte. Estava era a pensar em descansar à noite. Mas o corpo surpreende-nos. A vontade de viver a vida surpreende-nos.

E descobri que, mesmo depois da quinta sessão, conseguimos fazer mais. Muito mais do que imaginamos. Oito mil passos podem não ser uma maratona, mas para quem passou o dia anterior a fazer quimioterapia, é uma vitória enorme.

A quimioterapia não é sinónimo de desistir

Claro que há dias difíceis. Claro que ficamos mais sensíveis, mais cansados, às vezes até mais irritados. Os efeitos secundários são reais e cada corpo reage de forma diferente. Mas isso não significa que tenhamos de nos entregar completamente ou “deitar as cabeças”, por assim dizer.

Somos todos diferentes na luta. Alguns têm mais energia, outros precisam de mais descanso. E está tudo bem. O importante é perceber que podemos continuar a viver, dentro das nossas possibilidades, sem fazer disto um bicho de sete cabeças.

O ritmo é teu

A verdade é esta: ninguém melhor do que tu conhece o teu corpo. Se te apetece caminhar, caminha. Se precisas de descansar, descansa. Não há regras rígidas, não há um manual que diga “depois da quimioterapia tens de ficar na cama X dias”.

O que descobri? Que ouvir o corpo é fundamental, mas também não devemos subestimar a nossa capacidade de recuperação. Por vezes surpreendemo-nos com aquilo que ainda conseguimos fazer. Eu próprio fiquei surpreendido com os meus oito mil passos.

Estamos todos na luta

Esta mensagem é para ti que estás a passar por isto ou conheces alguém que está. A quimioterapia é dura, não vou mentir. Há momentos em que parece que não temos forças para mais nada. Mas também há dias — muitos dias — em que conseguimos fazer mais do que imaginávamos.

Não desistas das pequenas coisas que te fazem feliz. Uma caminhada, um trabalho que gostes, um café com amigos. Estas coisas não são luxos — são a vida a acontecer, e tu mereces continuar a vivê-la.

Podem ser oito mil passos, podem ser oitocentos. O que importa é que são os teus passos, ao teu ritmo, na tua luta.

Força a todos os guerreiros e guerreiras por aí. Somos mais fortes do que pensamos.

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