Azul até ao fim

Aplausos, cânticos, lágrimas e abraços, tarjas, bandeiras e fumos azuis na derradeira despedida a Pinto da Costa

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Milhares de pessoas despediram-se hoje do ex-presidente do FC Porto, Pinto da Costa. Primeiro, numa cerimónia na Igreja das Antas, no Porto, onde apenas estiveram presentes a família e amigos mais próximos. Depois, na passagem do cortejo fúnebre pelo relvado do Estádio do Dragão, cujas portas se abriram para a última homenagem ao “presidente dos presidentes”. Finalmente, no Cemitério Prado do Repouso, onde o corpo foi cremado e onde só estiveram presentes os familiares mais próximos.

Foto de VÍTOR LIMA – direitos reservados

Tal como se verificou ontem no velório, o espaço da Igreja das Antas tornou-se exíguo perante inúmeras manifestações de afeto nas horas que antecederam o funeral, que iniciou por volta das 11:00 e atraiu familiares, amigos, adeptos, atletas e referências históricas dos ‘azuis e brancos’, bem como figuras do futebol nacional e internacional, do desporto, da política e de outros quadrantes da sociedade portuguesa.

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Não vim despedir-me, vim prestar homenagem”, disse o antigo Presidente da República, Ramalho Eanes, de gravata azul, como Pinto da Costa tinha pedido. O general lembrou o amigo por quem tinha enorme admiração: “Ele mostrou que, quando há ambição, capacidade estratégica e de liderança, consegue-se inventar oportunidades e mobilizar tudo e todos rumo ao futuro.”

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Para além do “herói” de Pinto da Costa (o general Ramalho Eanes), outras personalidades públicas e cidadãos anónimos contribuíram para uma multidão de milhares que se juntaram em redor da Igreja de Santo António das Antas para dizerem adeus a Pinto da Costa, que morreu no sábado, aos 87 anos.

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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve presente nas cerimónias fúnebres e, em declarações aos jornalistas, destacou o trabalho que Pinto da Costa desenvolveu “em prol da excelência, de promoção do desporto, de valorização do Porto, bairrismo assinalável”.

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Morre uma pessoa que teve capacidade e visão, marcou os últimos 42 anos da história do FC Porto e foi um grande impulsionador da independência das provas profissionais”, disse, por seu turno, Pedro Proença, recém-eleito presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e líder cessante da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

Martin Anselmi, treinador do FCPorto. Foto de VÍTOR LIMA – direitos reservados

A minha relação com o FC Porto deve-se a Pinto da Costa. Foi uma figura do FC Porto e o melhor líder de todos os tempos. Um génio e visionário, viu o que os outros não viam“, assinalou o ex-médio internacional português Deco, que foi campeão europeu pelos ‘dragões’ em 2003/04 e atualmente é diretor desportivo dos espanhóis do FC Barcelona.

António Oliveira, antigo jogador, treinador e selecionador nacional. Foto de VÍTOR LIMA – direitos reservados

Responsável pelo fim do ‘reinado’ de Pinto da Costa, face ao triunfo nas eleições de abril de 2024, o líder do FC Porto, André Villas-Boas, esteve ausente das cerimónias fúnebres, por respeito ao pedido feito em vida pelo seu antecessor, que não queria nenhum elemento da atual direção ‘azul e branca’ no seu funeral.

Diogo Costa, guarda-redes do F.C.Porto e da Seleção Nacional. Foto de VÍTOR LIMA – direitos reservados

Paulo Futre, campeão europeu pelo FC Porto em 1986/87, esteve também presente no funeral de Pinto da Costa que, para sua surpresa, não mereceu uma única mensagem de condolências por parte do Benfica ou do Sporting. “Quando morreu Jesús Gil y Gil, presidente do Atlético de Madrid, estavam na igreja os presidentes do Real Madrid e do FC Barcelona. Houve mais guerras entres eles, mas estavam lá. Não entendo [a posição dos adversários de Lisboa], mas respeito”, reagiu o antigo avançado internacional luso relativamente ao silêncio ensurdecedor de Rui Costa e Frederico Varandas.

Domingos Paciência, ex-jogador. Foto de VÍTOR LIMA – direitos reservados

Os plantéis das várias equipas do FC Porto caminhavam em bloco para o interior da igreja, atravessando um corredor feito por uma multidão plena de aplausos, cânticos, lágrimas e abraços aos futebolistas da equipa principal, enquanto as claques afetas ao clube lançavam potes de fumo, erguiam tarjas e esvoaçavam bandeiras perto de uma passadeira azul colocada à frente da igreja.

Francisco Moura e João Mário, jogadores; Zubizarreta, diretor desportivo. Foto de VÍTOR LIMA – direitos reservados

Pinto da Costa transformou o FC Porto num dos maiores clubes do mundo e catapultou uma região e uma cidade. Foi um exemplo de dirigismo e capacidade de liderança e hoje a região norte e todo o país lhe presta homenagem”, disse Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, que, ao contrário da larga maioria dos presentes, assistiu à missa celebrada pelo bispo do Porto, Manuel Linda, e pelo cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal e amigo do ex-presidente portista, que considerou Pinto da Costa uma “pessoa encantatória.

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 Nessa restrita plateia também estiveram o ex-primeiro ministro Pedro Santana Lopes, que presidiu o Sporting entre 1995 e 1996 e surgiu com uma gravata de “azul triste”, e o líder do Sporting de Braga, António Salvador, admirador de Pinto da Costa “desde pequeno”.

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Durante estes 22 anos foi sempre muito próximo de mim, um grande defensor do norte e do clube que amava. Conseguiu destaque a nível nacional e mundial por ser o presidente mais titulado do mundo”, evocou, numa de múltiplas reações recolhidas pelos jornalistas.

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A multidão prosseguiu firme nas imediações da Igreja de Santo António das Antas até ao fim da celebração, um momento de crescente comoção logo que o carro funerário iniciou a marcha pela Alameda das Antas fora em direção ao Estádio do Dragão.

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Transformado num memorial em honra de Pinto da Costa desde a noite de sábado, com milhares de mensagens escritas, coroas de flores, velas, cachecóis, bandeiras e camisolas, o estádio abriu as suas portas para uma derradeira homenagem do universo ‘azul e branco’ no relvado, após entendimento com a família de Pinto da  Costa.

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A homenagem no relvado

Os restos mortais entraram no relvado do recinto para o ponto mais alto de um cortejo fúnebre pleno de aplausos, cânticos e lágrimas da multidão, rumo ao estádio do Dragão que abriu as portas na bancada central poente e nos topos norte e sul.
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A homenagem ainda demorou algum tempo a começar, mas as palavras introdutórias do ‘speaker’ do recinto prenunciariam o fim do silêncio na plateia e a chegada em ovação do caixão, coberto por uma bandeira do FC Porto e transportado a partir do túnel de acesso aos balneários, sob a proximidade de familiares e do cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal e amigo do antigo líder portista.

Foto LUSA – direitos reservados

A expressão “o presidente dos presidentes“, cunhada pelo sucessor André Villas-Boas, predominava nos dois ecrãs do recinto e servia de pano de fundo na bancada nascente, a única sem público, enquanto a urna ia repousando durante quase cinco minutos junto aos principais troféus nacionais e internacionais vencidos pelo FC Porto com Pinto da Costa.

Ausente no funeral, por respeito ao pedido feito em vida pelo seu antecessor, Villas-Boas assistiu à homenagem no estádio, tal como os futebolistas da equipa principal, cumprindo um minuto de silêncio – quebrado pelos ininterruptos cânticos da claque Super Dragões – e outro com prolongados aplausos.

No final do hino do FC Porto, a urna aproximou-se da bancada sul, reservada aos Super Dragões, com diversos adeptos a chegarem até perto do relvado para um último adeus carregado de emoção e pirotecnia, que cobriu o relvado com uma névoa azul e branca.

Foto LUSA – direitos reservados

Os restos mortais de Pinto da Costa permaneceram no relvado cerca de 10 minutos, mas parte da multidão viria a seguir o carro funerário até ao Cemitério do Prado do Repouso, na freguesia portuense do Bonfim, onde o corpo foi cremado em cerimónia reservada à família.

Antes da derradeira homenagem do FC Porto, o estádio já estava envolvido por faixas e panos gigantes das claques do clube, bem como milhares de mensagens escritas, coroas de flores, velas, cachecóis, bandeiras e camisolas, sendo transformado desde a noite de sábado num memorial em honra do ex-dirigente, que morreu aos 87 anos, e tornou-se o dirigente mais titulado e antigo do futebol mundial à frente dos ‘dragões’, de 1982 a 2024.

Pinto da Costa tinha sido diagnosticado com um cancro na próstata em setembro de 2021 e agravou o seu estado de saúde nas últimas semanas, menos de um ano depois da derrota para a presidência do clube frente a André Villas-Boas.

Empossado pela primeira vez em 23 de abril de 1982, seis dias depois de ter sido eleito sem oposição como sucessor de Américo de Sá, o ex-dirigente exerceu funções durante 42 anos e 15 mandatos consecutivos, levando o FC Porto à conquista de 2.591 títulos em 21 modalidades – 69 dos quais no futebol sénior masculino, incluindo sete internacionais.

Terminada a passagem pelo Dragão, as exéquias rumaram até ao Cemitério do Prado do Repouso, na freguesia portuense do Bonfim, onde o corpo de Pinto da Costa, que tinha sido diagnosticado com um cancro na próstata em setembro de 2021 e agravou o seu estado de saúde nas últimas semanas, será cremado em cerimónia reservada à família.

OC/LUSA/MP

Fotos de VÍTOR LIMA – direitos reservados

 

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