Face à evolução dos incêndios florestais em Portugal, a WWF Portugal-World Wide Fund for Nature apresentou a “Agenda Comum para a Prevenção de Incêndios Florestais”, um documento estratégico que reúne propostas para transformar a paisagem e travar o ciclo dos grandes incêndios. A apresentação decorreu a 16 de julho de 2025, em Lisboa, com contributos de especialistas de vários sectores.
Segundo a organização, apesar da redução no número de ocorrências nas últimas duas décadas, os incêndios tornaram-se mais intensos e destrutivos, consequência das alterações climáticas e do abandono progressivo do mundo rural. Entre os principais fatores identificados estão a baixa rentabilidade da floresta, a fragmentação da propriedade, a ausência de políticas públicas coordenadas e as faixas de gestão de combustível insuficientes.
A WWF propõe uma mudança na ocupação e gestão do território, com enfoque particular na região a norte do Tejo, onde predomina uma floresta homogénea e mal gerida. O modelo sugerido assenta em mosaicos agroflorestais sustentáveis, que valorizem o capital natural, os serviços dos ecossistemas e a presença humana ativa no território.
Vasco Silva, coordenador de Florestas e Vida Selvagem da WWF Portugal, afirma:
“O foco está na gestão à escala da paisagem, na multifuncionalidade da agricultura e na promoção da presença humana ativa e informada no território.”, afirmou, Vasco Silva, coordenador de Florestas e Vida Selvagem da WWF Portugal.
A “Agenda Comum” contém recomendações dirigidas a quatro sectores principais: Governo, empresas, sociedade civil e academia.
Para o Governo, a WWF propõe políticas públicas que incentivem a gestão do combustível, o uso do fogo controlado, o pastoreio extensivo, bem como o apoio à agricultura familiar, a integração de políticas agrícolas, florestais e ambientais e o reforço do cadastro predial.
Ao sector empresarial, a organização apela à adaptação da gestão florestal às alterações climáticas, ao investimento em produtos dos sistemas agrosilvopastoris e ao estabelecimento de parcerias com comunidades locais.
No que diz respeito à sociedade civil, é sugerida a organização em associações, a participação activa no planeamento territorial e a valorização de modelos de gestão diversificados e produtos locais.
À academia, a WWF solicita a produção de conhecimento sobre gestão multifuncional e resiliência, a formação de técnicos florestais e a análise das dinâmicas demográficas e de mercado, visando apoiar a definição de políticas eficazes.
Com esta iniciativa, a WWF Portugal pretende que o combate aos incêndios deixe de assentar exclusivamente na resposta de emergência, promovendo antes uma atuação preventiva e integrada com benefícios a longo prazo para o território e para as comunidades.
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