
OC– Senhor Alfredo Ferreira, nestes seus 97 anos de vida, quantos conta, em volta dos pombos?
AF – eu nasci em 1928, comecei aos 18 anos, portanto, 79 anos.
OC– Como nasceu esse “bichinho” pela columbofilia?
AF– Eu ia ver as chegada dos pombos a casa dos vizinhos que participavam nos concursos, e fiquei contagiado de amor por eles.. Nessa altura nem sei se a palavra Columbofilia era conhecida. Para nós, eram corridas de pombos.
OC– Nesse tempo havia terminado a segunda guerra mundial, muita pobreza, os pombos eram, então, uma competição desportiva, ou um passatempo?
AF– As duas coisas. De manhã cedo toda a gente vai trabalhar com o almoço na marmita e, ao fim do dia , chegado a casa, ia para os pombos, ora fazê-los voar, ora tratá-los.
OC– Muitas alegrias e boas memórias?
AF– Ter pombos em casa já é uma alegria, esperar por eles nas provas, é uma enorme ansiedade, classificar pombos , então, é uma satisfação. Destas provas, sempre gostei das soltas em Espanha, concretamente de Valência Del Cid e La Gineta, pois por norma ganhava. Tive recentemente uma fêmea que em três anos ganhou duas vezes o primeiro lugar e um 14º, ficou conhecida como “a valenciana”, ficou-me este anos e essa constitui também a maior tristeza.
OC– Senhor Alfredo, mas o senhor com a sua respeitável idade, consegue organizar todo essa trabalho ?
AF –Toda a vida fui eu a tratar dos pombos. Tenho os pombais no terraço e sempre fui para eles através de umas escadas íngremes, que subia e descia de costas. O meu filho Emanuel aposentou-se e como reside aqui perto e também foi” infectado” pela modalidade, agora , praticamente é ele quem faz tudo.
É claro que, sem a ajuda dele, seria difícil manter níveis competitivos.
OC– Mas inegavelmente que os pombos fazem parte da sua vida?
AF– Pois fazem, e eu também faço tudo por eles, quer ganhem ou não. Vê-los chegar a casa, após voarem centenas de quilómetros, é uma alegria e excelente sensação.
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