“Se um país facilita o ataque bélico ao nosso país está a cooperar nesse ataque”, palavras do embaixador do Irão em Portugal. Esta afirmação tem um significado muito directo e significativo para o povo dos Açores. A Base da Lajes que há muitos anos devia ser um aeroporto internacional que apenas pudesse servir para voos comerciais que ligassem os Açores aos países da Europa, aos EUA, Canadá e América latina, tem servido para que a administração norte-americana, quando pretendeu invadir o Iraque e agora o Irão, de plataforma intermédia dos mais diferentes tipos de aeronaves de guerra norte-americanas.
Assistimos a uma decisão de um ditador fascista, senil, alegado abusador de menores e desrespeitador do seu próprio Congresso a desviar as atenções do caso Epstein para bombardear o Irão sem ter a mínima ideia do poder bélico iraniano. O Irão há décadas que instrui e financia os mais diversos grupos terroristas espalhados pelo globo e que têm levado a efeito actos de terrorismo que ceifaram já a vida a centenas de pessoas, seja em França, na Alemanha ou nos EUA. Os aviões de guerra americanos juntamente com o poderio bélico de Israel têm bombardeado o Irão, mataram o líder do regime e mais alguns generais, mas Donald Trump numa afirmação de pura incompetência sobre guerras já veio afirmar que “não pensei que o Irão tivesse tanto poder de resposta”. Pois é, o Irão continua a responder aos ataques sofridos com o bombardeamento a vários países da região, a bases americanas instaladas nesses países e até a um petroleiro americano estacionado no Estreito de Ormuz.
A partir desta situação, há quem pergunte como é possível que o Irão consiga responder aos ataques que lhe têm destruído quartéis e caves onde é guardado o urânio? Pelos vistos, a máquina de guerra edificada pelo Irão durante décadas tinha uma intenção bem clara, a destruição de Israel e, para isso, preparou-se com a ajuda da Rússia e da China de
forma invulgar e peculiar em termos de poderio de armamento.
E o pior de tudo foi a instrução e financiamento que proporcionou a dezenas de grupos fanáticos que têm espalhado o terror onde lhes for mais conveniente, especialmente com o rebentamento de bombas em plenas urbes. Certamente que as ordens estão dadas para que esses grupos terroristas continuem a destruir o que for possível e que esteja ligado aos “imperialistas” americanos. E é aqui que voltamos aos Açores e ao risco em que pode encontrar-se o povo açoriano, caso o Irão decida que um forte sistema de explosivos rebente com a Base das Lajes ou com alguma cidade da Ilha Terceira. É um risco.
Não se trata de conspiração ou ficção. É uma realidade. Se durante anos inúmeros veleiros escalaram os Açores carregados de droga, também podem deixar na costa açoriana explosivos em mãos terroristas. Da parte dos iranianos tudo se pode esperar e Portugal tem andado a brincar com o fogo ao acordar com os americanos o uso de uma pista de uma região autónoma pacífica e que tudo deseja, menos que a sua terra em vez de fornecer leite e manteiga passe a construir bunkers para se refugiar de eventuais bombas.

Jornalista







