Juan Luís Arsuaga é um paleoantropólogo espanhol nascido em Madrid em 1954 e licenciado em ciências biológicas pela Universidade Complutense de Madrid onde é catedrático de Antropologia.
É um dos paleontólogos mais reputados do mundo e o divulgador científico mais importante de Espanha. Integra a direcção da equipa científica responsável pelo achamento e estudo das jazidas da época geológica do Pleistoceno da Sierra de Atapuerca (Burgos, Espanha) desde 1982. Tem vários livros publicados versando a Vida, a Consciência e a Morte, com edição em Língua Portuguesa.
Para quem diz que a vida “não pode ser só isto” que a Natureza nos oferece, acreditando poder haver “algo mais”, Arsuaga, tentando descobrir o sentido da Vida concorda com quem coloca a questão e responde que sim, que “deve haver algo mais”… e esse algo chama-se Cultura; é a música, a poesia, a beleza…
O mais importante do seu trabalho, diz Arsuaga, é a descoberta de tantos fósseis humanos na jazida arqueológica de Atapuerca onde já se recolheu material em grande número, o que aponta para a espectacularidade de os investigadores terem estudos de ADN de 400.000 anos.
Em entrevista recente ao jornal espanhol “El País”, Luis Arsuaga aborda “o pensamento mágico” que prende tanta gente em seitas religiosas e igrejas tradicionais, e diz que esse sentimento, o do pensamento mágico, está muito unido à ignorância que promove tantas desavenças entre vizinhos. Quando se sabe como funciona o mundo, a ignorância desaparece e leva consigo o fanatismo.
Arsuaga refere o zoólogo austríaco Konrad Lorenz para dizer que há dois remédios para a violência do nazismo e do fanatismo: são a Ciência e o Humor!
Quando ouvimos os nossos políticos referirem nos seus discursos, a “prioridade nacional” como se tivessem encontrado a verdadeira “salvação da Pátria”… tais palavras, entendidas à luz da Antropologia, apenas formam uma “expressão tribal”… não mais do que isso. Hoje – neste século XXI que imaginávamos ser de progresso – ainda há muito sentimento de tribo que conduz a casos extremos de fanatismo e desumanidade, promovendo guerras e atentados, como fazem Trump, Netaniahu e Putin.
Cá por mim, gosto de me situar no “reino animal”, comparando-me com todos os meus parceiros de reino, para não esquecer o produto natural que efectivamente sou neste mundo habitado por animais com particularidades diversas… porém, numa segunda apreciação da Humanidade, logo concluo termos características negativas que só ao animal “Homo sapiens” pertencem: refiro-me à cupidez e à corrupção. Nenhum outro animal apresenta tais “defeitos de fabrico” .
A corrupção é praticada para se conseguir dinheiro, com o qual se almeja estatuto social e poder. Se olharmos para os “machões” também verificamos haver quem, nessa prateleira dos defeituosos, use dinheiro e poder social para conquistar mulheres, como se fossem cetáceos a engolir krill e plancton.
De facto, o nosso primitivismo ainda é gritante… o que me leva a concluir esta crónica com palavras de Juan Luís Arsuaga: “Tudo isto é muito paleolítico… muito de chimpanzé”.
Jornalista/Cartunista














