Selva Digital

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A humanidade parece caminhar à deriva. Não me refiro apenas à belicosidade latente que hoje nos define, mas, mais especificamente, ao declínio da educação. Temos a impressão de que o urbanismo desapareceu da maioria; as redes sociais tornaram-se o palco predilecto para a ofensa gratuita. Muitas vezes, a agressão nasce da incapacidade de compreender o que se lê — e, perante o abismo do entendimento, o agressor escolhe o insulto como ponte.

Encontram-se comentários de tal forma abjectos que pecam pela mais absoluta ignorância semântica. São erros crassos, de palmatória, que denunciam uma passagem efémera pelos bancos da escola. Pergunto-me o que move estas criaturas e, francamente, não encontro resposta. Demonstram uma ausência de dignidade tamanha que nos dão a sensação de habitarem uma selva, alheios ao convívio humano.

Escrevo estas linhas com o travo amargo da indignação, motivado pelo desrespeito sistemático ao pensamento alheio. A discordância é, obviamente, bem-vinda; é dela que nasce o diálogo. Contudo, o diálogo exige um reportório que essa gente desconhece, preferindo o caminho mais curto e árido da ofensa.

Recentemente, ao comentar um artigo com o qual partilhava afinidade, fui interpelado por um sujeito que, ignorando o debate de ideias, optou por nos chamar “mentirosos”. No plural, note-se, para abraçar todos os que ousassem concordar comigo. Negava um facto histórico, uma verdade vivida por mim nos idos finais dos anos 70. Optei pelo silêncio. Não por falta de argumentos, mas por ser esse o único tributo que se deve prestar às mentes doentias: o desprezo de uma página em branco.

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