O countdown marca apenas um dia para a celebração do “Dia do Trabalhador”. Ou dia 1º de maio. Instituído como feriado nacional obrigatório pela Junta de Salvação Nacional precisamente no dia 27 de abril de 1974.

Desde então, os portugueses nunca mais deixaram de manifestar a sua alegria pela Liberdade conquistada uma semana antes.

Uma Liberdade que insiste em mobilizar, invariavelmente, milhares de pessoas de norte a sul do país. Tal e qual como se repetiu este ano, por exemplo, na cidade Invicta.

O Porto voltou a vestir-se de Abril com milhares de pessoas a ocuparem o coração da Baixa, num dia marcado pela evocação histórica e pela celebração coletiva da liberdade. Entre palavras de ordem, música e memória, a “Revolução dos Cravos” fez-se sentir nas ruas com intensidade e significado.

O ponto alto da tarde foi o tradicional Desfile da Liberdade, que arrancou do Largo de Soares dos Reis. A marcha percorreu artérias emblemáticas como a Rua de Passos Manuel e a Praça de Dom João I, culminando na icónica Avenida dos Aliados, onde a multidão se concentrou para celebrar os valores de Abril. Faixas, cravos e vozes unidas deram corpo a um desfile que reuniu diferentes gerações, reafirmando o compromisso com a democracia.

Antes do arranque da marcha, teve lugar um momento de forte carga simbólica: uma homenagem aos resistentes antifascistas, junto à antiga sede da PIDE. Num ambiente de respeito e silêncio, recordaram-se os que enfrentaram o regime e pagaram com a liberdade, e, em muitos casos, com a vida, a luta contra a ditadura.

Já na Avenida dos Aliados, a celebração ganhou ritmo com a programação musical. O projeto Labuta trouxe sonoridades contemporâneas e interventivas, preparando o ambiente para o encerramento com os Galandum Galundaina. O grupo levou ao centro da cidade os ritmos tradicionais transmontanos, envolvendo o público numa festa popular onde a música e a identidade cultural se cruzaram.

Entre memória e celebração, o Porto voltou a provar que o 25 de Abril não é apenas uma data, é um sentimento vivo, partilhado na rua, onde a história continua a ser escrita passo a passo.
Repórter














