A Alfândega do Porto voltou a ser invadida pelas icónicas peças LEGO, mas desta vez a exposição vai muito além da simples construção de maquetes. “A Invasão dos Gigantes”, que inaugurou esta sexta-feira e ficará patente até 6 de abril de 2026, revela-se uma verdadeira viagem multidisciplinar pela cultura, ciência e arte, utilizando quase 10 milhões de peças distribuídas por mais de 2.100 metros quadrados.

Criação por fãs e segunda edição de sucesso
Esta é a segunda edição da exposição na Alfândega do Porto, consolidando o espaço como palco privilegiado para estas criações monumentais. Um aspeto particularmente fascinante é que todas as peças são construídas por fãs adultos de LEGO (conhecidos como AFOLs – Adult Fans of LEGO), demonstrando que a paixão por estas peças icónicas transcende gerações e se transforma em verdadeira arte.

As três atrações principais
Entre os mais de 100 modelos expostos, três destacam-se como as atrações principais da mostra:
O Espinossauro – Uma verdadeira obra-prima de engenharia em LEGO, este modelo réplica de um dos maiores dinossauros da história foi construído com impressionantes 900 mil peças. Com cinco metros de comprimento e três metros de altura, o Espinossauro é não apenas um espetáculo visual, mas também uma janela para o passado pré-histórico do nosso planeta.

O TIE Fighter – Os fãs de Star Wars têm um motivo especial para visitar a exposição: uma das naves mais icónicas e populares da saga galáctica ganha vida em LEGO. Com três metros de altura e construído com 250 mil peças, o TIE Fighter representa a fusão perfeita entre cultura pop e artesanato meticuloso

A Grande Muralha da China – Talvez a peça mais impressionante pela sua escala, esta réplica estende-se por uns incríveis 60 metros de comprimento. Mais do que uma simples recriação arquitetónica, representa a capacidade humana de realizar feitos monumentais e a importância de preservar o património da humanidade.

Muito mais do que brinquedos: uma lição de humanidade
Ao percorrer os corredores do Centro de Congressos da Alfândega, o visitante depara-se com uma proposta ambiciosa: ensinar enquanto diverte.

A exposição dedica um espaço especial a Leonardo da Vinci, esse polímata renascentista que, há mais de 500 anos, antecipou invenções que só se concretizariam séculos depois. Em peças coloridas de LEGO, os visitantes podem contemplar recriações das suas máquinas visionárias, dos estudos anatómicos ao Homem Vitruviano, passando pelas suas pinturas mais emblemáticas. É uma forma contemporânea de honrar um homem que foi, simultaneamente, artista, cientista, engenheiro e inventor – provando que a curiosidade não conhece fronteiras disciplinares.

Picasso, o revolucionário da arte moderna, também marca presença nesta celebração cultural com a obra mural Guernica, que ganha nova vida quando reconstruída em LEGO, demonstrando que a arte pode ser reinventada e reinterpretada através de diferentes linguagens e materiais.

Os sentidos humanos em miniatura
Uma das áreas mais fascinantes da exposição é dedicada ao olfato – ou melhor, ao sentido do olfato e aos sentidos humanos em geral. Na zona intitulada “Corpo Humano“, os visitantes podem explorar maquetes detalhadas que ilustram como funcionam o tato, a audição e a visão. É uma aula de Biologia diferente, onde os sistemas e órgãos internos humanos ganham forma através das pequenas peças encaixáveis, tornando o complexo funcionamento do nosso corpo mais acessível e compreensível, especialmente para os mais jovens.

Uma viagem pelos monumentos do mundo
A exposição transforma-se também numa verdadeira volta ao mundo através dos monumentos mais emblemáticos da humanidade. A Torre de Pisa, com a sua inclinação característica que desafia a gravidade há séculos, surge recriada em peças LEGO, permitindo aos visitantes observar de perto os detalhes arquitetónicos deste ícone italiano.

Pontes famosas, como a Golden Gate e a Tower Bridge de Londres, demonstram como a engenharia humana conseguiu vencer obstáculos naturais e ligar povos e continentes. Cada monumento é acompanhado de informação sobre a sua história, importância cultural e contexto histórico, transformando a visita numa aula de História e Geografia.


Outros monumentos, desde o Taj Mahal ao Coliseu de Roma, celebram a diversidade arquitetónica das diferentes civilizações.

Biodiversidade: um planeta em peças
O compromisso da exposição com a educação ambiental manifesta-se na extensa área dedicada à biodiversidade e ao planeta. Os visitantes podem seguir, passo a passo, as fases de desenvolvimento da borboleta e do sapo, observar um atlas de aves e insetos meticulosamente construído, e até explorar a tabela periódica dos elementos – uma revisão de química onde cada elemento ganha vida em cores vibrantes.

Pirâmide de Maslow e a busca pelo conhecimento
Num toque de psicologia e filosofia, a exposição apresenta também uma representação visual da pirâmide de Maslow, ilustrando a hierarquia das necessidades humanas. É uma reflexão sobre o que nos move como sociedade, desde as necessidades básicas até à autorrealização – uma mensagem particularmente relevante numa era em que o bem-estar mental e emocional ocupa cada vez mais espaço no debate público.

Interatividade e diversão para todas as idades
Além do conteúdo educativo, “A Invasão dos Gigantes” oferece numerosas construções interativas: comboios em movimento, carrosséis, aviões a descolar, borboletas que batem as asas. Há ainda três zonas de diversão – Little Ones Station, Besties World e Fun Zone – onde visitantes de todas as idades podem dar asas à criatividade e construir as suas próprias obras.

A exposição paralela 3D Trick Gallery convida os visitantes a tirarem selfies criativas com fundos temáticos e ilusões óticas, transformando a visita numa experiência memorável e partilhável.

Um legado de inspiração
Ao sair da Alfândega do Porto, o visitante leva consigo muito mais do que memórias de maquetes coloridas. Leva a compreensão de que a arte, a ciência, a natureza e a cultura estão intrinsecamente ligadas. Que Leonardo da Vinci e Picasso não são apenas nomes nos livros de história, mas fonte de inspiração para continuarmos a questionar, observar e criar. Que a biodiversidade do nosso planeta merece ser celebrada e protegida. E que, no fundo, todos nós – como as peças de LEGO – somos partes de um todo maior, com potencial ilimitado quando encaixamos no sítio certo.
Texto e Fotos | VÍTOR LIMA/OCidadão
Repórter







