O Museu do Côa assinalou o 15.º aniversário, esta quarta-feira, com uma contagem global de quase meio milhão de visitantes, apesar de localizado no interior, mas com um património de “escala mundial“, como sublinham os seus responsáveis.
Inaugurado em 30 de julho de 2010, o Museu do Côa chega aos 15 anos com um total de 473.020 visitantes, e com o maior número anual de entradas a ser registado em 2024, quando 44.824 pessoas visitaram as suas salas de exposição que, além da coleção permanente, em torno do património da arte rupestre do Côa, acolhem mostras temporárias, num diálogo com a produção contemporânea de artistas portugueses e estrangeiros.
Em termos de média anual, os 473.020 visitantes dos últimos 14 anos do Museu do Côa, localizado a pouco mais de dois quilómetros da cidade de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda, é de cerca de 33.787, sendo necessário ter em conta o ano corrente, 2025, e o primeiro ano de atividade, 2010, não se contam por inteiro, representando apenas seis e cinco meses, respetivamente, de portas abertas.
Para o presidente interino da Fundação Côa Parque, Domingos Lopes, que tutela o museu, este quase meio milhão de visitantes do museu é “um número altamente expressivo“, como disse à agência Lusa.
“Trata-se de uma estrutura que, desde logo, tem o objetivo de captar visitantes e de os distribuir pelo território do Alto Douro e Vale do Côa. Veja-se que durante o período da pandemia de COVID-19, mesmo num contexto de dificuldade, esta foi uma estrutura do Ministério da Cultura com um desempenho [de entradas] equivalente às estruturas museológicas localizados nos grandes centros urbanos”, destacou Domingos Lopes.
O responsável sublinhou ainda que o Museu do Côa, uma estrutura situada no interior do país, continua a ter uma capacidade de atração de público “muitíssimo significativa” que “extravasa em muito as fronteiras” nacionais.
Domingos Lopes lembrou que, numa fase inicial do “fenómeno do Côa“, e naquilo que veio a ser a génese da Fundação Côa Parque, houve alguma divisão entre a construção do Museu do Côa e a construção da Barragem do Baixo Côa.
“Eu acho que o museu veio reforçar a ideia de que a qualidade de um património com impacto à escala mundial merece o esforço“, vincou, pois “trata-se de dignificar um património tão valioso, que nos orgulha.”
Domingos Lopes acrescentou que o Museu do Côa é impactante tanto a nível regional como nacional, contribuindo para a salvaguarda do património do Parque Arqueológico do Vale do Côa, merecendo preservação contínua.
“O museu permite funcionar como estrutura que gera massas de visitantes ao território, salvaguardando os originais da arte rupestre do Côa e todo o território“, afirmou. “Está capacitado para receber muitos visitantes, por mais tempo, e assim descomprimir a pressão ao nível dos sítios arqueológicos do Vale do Côa”.
No Museu do Côa funciona ainda um Centro de Ciência Viva que tem realizado múltiplas atividades no campo da arqueologia experimental, vocacionadas para as escolas da região e do país. É uma estrutura onde, diariamente, se ouvem diferentes idiomas, além do português.
Atualmente o museu tem patentes exposições dedicadas a Amadeo de Souza-Cardoso e a Nadir Afonso.
“Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade” e “A Marginália de Amadeo” reúnem, cada uma, cerca de meia centena de obras dos “dois vultos da arte portuguesa“, e enquadram-se no programa da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (REPAC).
Estas duas exposições “são as grandes apostas do museu para o verão“. A mostra dedicada a Nadir Afonso prolongar-se-á até 2 de novembro, enquanto “A Marginalia de Amadeo” ficará patente até ao próximo domingo.
No programa expositivo do museu, que continua a conjugar a expressão contemporânea com a arte rupestre do Parque Arqueológico, um projeto dedicado a Pablo Picasso pode vir a suceder, mais tarde, a estas mostras temporárias.
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