Casa da Música do Porto faz 20 anos – Aniversário festejado com “Clubbing”

A celebração do 20.º aniversário da Casa da Música, foi de alguma forma, também comemorada com o Clubbing, tornando-se num evento icónico da cidade, pois ao abrir as portas aos cidadãos, promove um encontro e reencontro de milhares de gentes do norte de Portugal.

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Direitos Reservados

De entrada livre, o cartaz prima pela inclusão, apresentando múltiplas correntes musicais: das canções acústicas e intimistas à eletrónica vigorosa e impulsiva, explorando linguagens distintas que se complementam e permitem criar uma explanação musical “non-stop” até de madrugada…

Café Concerto
Carla Prata
A nossa primeira paragem foi no café concerto, apinhado com muitos africanos (angolanos principalmente) para assistir ao concerto de Carla Prata, uma luso-angolana, que nos apresentou a sua fusão de R&B. Expôs-se no palco, com uma DJ, em pouco tempo conquistou a empatia do público que conhecia e cantou as suas canções.

Sala Suggia
 JP Simões
Estudou Jornalismo, Direito da Comunicação, Escrita de Argumento, Saxofone, Língua Árabe e é Mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa, mas tem exercido essencialmente música, desde 1995, com os Pop dell’Arte, Belle Chase Hotel, Quinteto Tati, e a solo como JP Simões e como Bloom.
Escreveu contos, letras de canções, argumentos para cinema e participou ativamente como músico e ator em filmes de Fernando Vendrell, Edgar Pêra, António Ferreira e outros, assinando pelo caminho algumas bandas sonoras para documentários.
No teatro, escreveu o libreto da “Ópera do Falhado”, o seu primeiro álbum a solo, e “O Vírus da Vida”, (Sextante Editora, 2007), livro de contos com ilustrações de André Carrilho.
Com a Sala Suggia quase completa, JP Simões entrou apenas com a sua guitarra e a sua voz. Apoiado por alguns pedais eletrónicos que lhe deram alguns problemas no decorrer do concerto…Desconhecemos a razão da escolha da língua inglesa, para as suas primeiras cinco canções. Gostei muito da sua execução na guitarra, onde é mestre! As canções não são fáceis e sinceramente o momento mais interessante do concerto, foi na parte final, quando cantou José Mário Branco e José Afonso.

Corri para a Sala 2, pois estava curioso no projeto Conferência Inferno, um trio do Porto composto por Raul Mendiratta, Francisco Lima e José Miguel Silva. Após o lançamento do álbum de estreia “Ata Saturna”, em 2021, a banda lançou o seu segundo álbum, “Pós-Esmeralda”, em 2023. Com uma energia crescente do punk e uma pulsante epilepsia rítmica do new wave, o grupo portuense criou algumas canções sombrias, inspiradas pelo post-punk.

Gostei da energia com que combinavam o teclado, o DJ e a Voz.
Voltamos à Sala Suggia, para “ouver” (José Duarte criation…) Desengaiola, reunião de quatro de alguns dos maiores cantores de samba e pagode da zona sul do Rio de Janeiro, já nomeados para um Grammy Latino: Os músicos, Alfredo Del-Penho, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda, arrebataram o público, pela sua simplicidade e simpatia. Duas guitarras acústicas (uma semi-acústica) e percussões. Quatro vozes muito bem enquadradas. Numa palavra, uma delícia de concerto! Um samba dedicado a Vinicius de Morais e uma canção para Angola, finalizaram a sua atuação.
Estava muito curioso com um nome que me chamou à atenção: Puta da Silva!
Dirigimo-nos de novo à Sala 2 e aguardamos pelo concerto.

Akila – Puta da Silva. Direitos Reservados

Akila, mais conhecida como Puta da Silva, é uma cantora, multi-artista e ativista transgénero brasileira, residente em Lisboa. Une a carreira no teatro brasileiro com as vivências da imigração para criar canções. O seu vídeo performance “Bruxonas” foi premiado com uma menção honrosa no Festival Híbrido de Videodança. É co-fundadora da Casa T Lisboa, associação de acolhimento de pessoas LGBTQIAP+. Apresentou-se em lugares como a residência oficial do 118º primeiro-ministro de Portugal, António Costa, onde deu um concerto no âmbito da comemoração do bicentenário da independência do Brasil; na Bienal de Arte de Veneza de 2022, na performance Water Is Coming, de Jota Mombaça; em Serpa, no Festival Futurama; e no 17.º aniversário do Musicbox Lisboa, quando recriou ao vivo o álbum de Gal Costa, Índia.
Um trio forte e possante (Guitarra, baixo e bateria), entra um bailarino extraordinário que acompanha todo o concerto e de seguida a grande Ákila, com roupa “escandalosa” mas que se enquadra perfeitamente no cenário musical.
Lembrou-me os inícios da banda brasileira “Secos e Molhados” com Ney Matogrosso ao leme. As canções sucederam-se, com excelentes solos de guitarra e uma postura firme, musical e de postura de palco.
Infelizmente, não só foi possível estarmos em todo o lado…
Deixamos de qualquer modo, onde não nos foi possível estar.

Informação dos concertos.

Cibermúsica
22:00 Ece Canli
Uma proposta eletroacústica espacial e imersiva da compositora, vocalista e pesquisadora Ece Canli, criadora de um universo músico-filosófico-literário-cinematográfico pontuado por técnicas vocais estendidas, texturas dinâmicas e linhas de baixo pulsantes.

23:45 Solar Corona Elektrische Maschine
Solar Corona Elektrishe Maschine fazem ouvir o seu rock multiforme, assente em instrumentos eletrónicos, digitais e analógicos, conciliando repetição e imprevisibilidade.

Foyer Sul (Bar 1)
22:00 DJ Selecta Alice
Nos bares 1 e 2, é Selecta Alice quem põe os pratos de vinil a rodar, levando o público a viajar por um verdadeiro caleidoscópio de culturas, da cúmbia colombiana aos sons místicos e contemplativos da música sufi, entre mil e um ritmos do mundo.

00:00 DJ ALLiAN
ALLiAN, artista, dj e performer nascido em S. Paulo que vem agitando as raves queer do Porto com um tecido sonoro feito de filamentos como pop, hyper-pop, música brasileira e rajadas de consciência social.

Mané Fernandes, guitarrista dos Digitópia. Direitos Reservados

Foyer Poente
22:45 Digitópia
Com direção de Miguel Bastos, Ana Conceição no Violoncelo e Voz, Jorge Queijo na Percussão, José Diogo Martins nos Sintetizadores e Mané Fernandes – Guitarra.

Vários espaços
23:00 Digitópia – Promenade

22:45 Cíntia
A produtora e rapper Cíntia, engata uma nova mudança para dinâmicas mais intensas e dançável.

Foi uma noite muito interessante e envolvente a que assistimos, pena que os concertos sejam demasiados e em horas muito coincidentes, o que priva o público de poder usufruir de cada um deles.


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