Conferência debate desafios no desporto adaptado em Setúbal

A primeira sessão de 2025 do ciclo Conferências do Forte, em Setúbal, debateu os desafios do desporto adaptado em Portugal. Especialistas e dirigentes alertaram para a ausência de uma estratégia nacional, a redução do número de praticantes e a falta de financiamento público.

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O vereador da Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina, sublinhou a necessidade de uma estratégia nacional para o desporto adaptado, defendendo que nenhum cidadão deve ser discriminado pelo local onde vive. O problema é que não há uma política desportiva para o país. É muito importante que saibamos, em conjunto, exigir uma estratégia nacional, pois nenhum cidadão deve ser discriminado em função do território onde vive.”

O presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Lourenço, destacou a redução do número de praticantes no alto rendimento e em competições paralímpicas desde 2004. “Apenas menos de 1 por cento das pessoas com deficiência em Portugal praticam desporto”, referiu, citando dados do Instituto Português do Desporto e Juventude.

Para José Patrício, antigo presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Almada-Seixal, a sensibilização deve começar nas famílias, mas reconhece a dificuldade: “Passam muitos anos à procura da normalidade e da cura e o desporto é a última das preocupações.”

O especialista acrescentou que o setor da saúde também não incentiva a prática desportiva, dificultando a adesão. “Existe um divórcio na área da saúde relativamente aos benefícios do desporto para as pessoas com deficiência.”

O coordenador para o Desporto da Conferência de Ministros da Juventude e Desporto da CPLP, Jorge Carvalho, apontou a falta de investimento como um dos principais obstáculos: “O financiamento público tem vindo a decrescer. Não chegamos a atingir os 50 milhões de euros de investimento por ano, sendo que a maior parte desta verba é absorvida pelo alto rendimento.”

A sessão, realizada no Forte de Albarquel, reforçou a necessidade de políticas que promovam o desporto adaptado para além da alta competição, garantindo maior inclusão e acesso à prática desportiva.

OC©

Foto | CM Setúbal

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