O vereador da Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina, sublinhou a necessidade de uma estratégia nacional para o desporto adaptado, defendendo que nenhum cidadão deve ser discriminado pelo local onde vive. “O problema é que não há uma política desportiva para o país. É muito importante que saibamos, em conjunto, exigir uma estratégia nacional, pois nenhum cidadão deve ser discriminado em função do território onde vive.”
O presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Lourenço, destacou a redução do número de praticantes no alto rendimento e em competições paralímpicas desde 2004. “Apenas menos de 1 por cento das pessoas com deficiência em Portugal praticam desporto”, referiu, citando dados do Instituto Português do Desporto e Juventude.
Para José Patrício, antigo presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Almada-Seixal, a sensibilização deve começar nas famílias, mas reconhece a dificuldade: “Passam muitos anos à procura da normalidade e da cura e o desporto é a última das preocupações.”
O especialista acrescentou que o setor da saúde também não incentiva a prática desportiva, dificultando a adesão. “Existe um divórcio na área da saúde relativamente aos benefícios do desporto para as pessoas com deficiência.”
O coordenador para o Desporto da Conferência de Ministros da Juventude e Desporto da CPLP, Jorge Carvalho, apontou a falta de investimento como um dos principais obstáculos: “O financiamento público tem vindo a decrescer. Não chegamos a atingir os 50 milhões de euros de investimento por ano, sendo que a maior parte desta verba é absorvida pelo alto rendimento.”
A sessão, realizada no Forte de Albarquel, reforçou a necessidade de políticas que promovam o desporto adaptado para além da alta competição, garantindo maior inclusão e acesso à prática desportiva.
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Foto | CM Setúbal














