Hoje, para memória futura, quero deixar por escrito o sentimento que me perpassa a alma ao perder duas referências num “annus horribilis” para a nação portista e para o mundo: o Papa Franciscus e Pinto da Costa.
Figuras incontornáveis na liderança, na comunicação e gestão emocional (mas não só) que poderão e deverão ser perpetuadas na nossa memória. Por um lado, Pinto da Costa a quem serei grato, eternamente, pelo legado no FC Porto, no Porto e em Portugal; O “nosso Papa”, simbolizava para a nação portista a dedicação a uma causa muito maior do que o Clube (Porto e a Região), defendo a descentralização de forma intransigente. Não esqueço que se dedicou de forma transversal, durante décadas, a todos as modalidades, não só o futebol. Recordo ainda, a presença assídua, todos os fins de semanas a várias modalidades, em todos os escalões, desde a formação às equipas seniores, um trabalho que acabou por se repercutir nos resultados, extraordinários que animaram a cidade e o clube Porto, não esquecendo a comunidade portuguesa pelo mundo onde são alavancados valores da portugalidade que promovem o País, além-fronteiras. Um verdadeiro embaixador do Porto e de Portugal. Um líder, inequívoco, independentemente das preferências clubísticas, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa foi o motor do FC Porto e credor do respeito de toda a comunidade, mesmo quando não tínhamos líderes, locais, à altura. Foi um defensor do Porto com opiniões vincadas e próprias, nem sempre coincidentes com a visão de todas as personalidades, característico de quem tem personalidade forte, daquilo em que acreditava, uma voz audível no panorama desportivo, mas também cívico e político. Estamos de luto com o desaparecimento do nosso líder, indefinidamente…. Jorge Nuno Pinto da Costa deixou um legado para sempre na história do clube – Presidente do Futebol Clube do Porto durante 42 anos (1982-2024).
Papa Franciscus foi o nosso Deus na terra, próximo de todos e de todas, incluindo todos(as) que a igreja “sacudiu” nos últimos anos. Uma personalidade inesquecível que promoveu a igreja através da comunicação, da mensagem de Deus, conquistando popularidade incrível não só entre católicos, mas também entre os ateus e não-crentes.
Franciscus procurou falar das periferias não se referindo de forma simbólica, mas indo ao encontro das pessoas, falando dos seus problemas concretos. Provavelmente, uma grande lição para os políticos dos dias de hoje porque toda a visão política e económica, partia dos pobres e dos mais carenciados. Problemas que são debate nas sociedades de hoje: a pobreza, a falta de habitação e a fome não eram secundarizados. Papa Franciscus era um homem que procurava chegar ao coração de todos com linguagem simples, uma forma de estar, inclusiva, para que todos(as) se sentissem tocados e que pudessem de alguma forma dar um passo livre para entrar na vida da Igreja. Para Ele seria fundamental a Igreja agregar! Creio que tem muito a ver com aquilo que é o seu enraizamento cultural e teológico porque veio de um meio popular e de uma teologia de todo o povo e não de elites, grupos fechados… procurando uma abertura e transversalidade que chega a todos e a procura de alguma forma que todos possam sentir a pertença.
Às vezes questiono como se explica a capacidade de Franciscus em cativar quem não acredita na Igreja Católica? Na minha opinião tem a ver com o seu carisma pessoal e a sua capacidade criativa em realizar e promover sinais disruptivos, no sentido até que quebrava os protocolos e queria manter uma grande proximidade às pessoas. Esta popularidade que tem a ver com a força dos sinais, ou seja, os gestos que realizava, o conhecimento da situação em que estava: para o Papa, nenhuma situação era outra situação, era como se fosse única. A sua mensagem esta vinculada ao seu perfil. Dois líderes, distintos, mas inesquecíveis. Até sempre. “Obrigada por me trazer à praça”

Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro ” Governação e Smart Cities”







