UE quer que Kiev partilhe tecnologia contra drones com países do Golfo

A chefe da diplomacia da UE defendeu hoje que a Ucrânia deve partilhar o seu conhecimento sobre interceção de drones com os países do Golfo, sugerindo que estes deveriam retribuir no futuro com apoio a Kiev.

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Em declarações aos jornalistas à entrada para uma reunião, por videoconferência, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) e os seus homólogos dos países do Golfo, Kaja Kallas referiu que os drones que têm sido utilizados pela Rússia para atacar a Ucrânia são os mesmos que estão a ser utilizados hoje pelo Irão no Médio Oriente, numa referência aos ‘drones’ iranianos Shahed.

“Por isso, a Ucrânia pode ajudar os países do Golfo porque desenvolveram intercetores de ‘drones’. Estamos a ver como é que podemos coordenar tudo isto para ajudar os países do Golfo a responder aos ataques com ‘drones’. Esse vai ser o foco da nossa discussão de hoje”, referiu.

Kallas defendeu que os países do Golfo devem entrar em contacto com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sobre esta matéria, sugerindo que, no futuro, também devem estar disponíveis para apoiar Kiev.

“Eu falei com os países do Golfo e eles ficaram surpreendidos com a quantidade de ajuda que a Ucrânia já lhes tem dado nesta matéria, numa altura em que estão sob ataques constantes. Até agora, [o apoio entre as duas partes] não tem sido verdadeiramente recíproco, mas mais unilateral. Talvez agora isso possa mudar”, disse.

Kallas salientou que a Ucrânia tem conseguido “produzir muitos” intercetores de ‘drones’ nos últimos tempos, reforçando que “pode partilhar esse conhecimento com os países do Golfo para que eles também aumentem a produção”.

“Toda a gente precisa de sistemas de defesa aérea. A Ucrânia precisa e os países do Médio Oriente precisam, designadamente de intercetores de ‘drones’. Por isso é que há claramente um problema na produção”, referiu, defendendo que os europeus também devem “acelerar e produzir muito mais drones e sistemas de interceção”.

Nestas declarações, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança acusou o Irão de estar a querer “exportar a guerra, a tentar expandi-la ao maior número possível de países para espalhar o caos”.

“A nossa primeira prioridade é garantir a segurança dos nossos cidadãos que se encontram na região. Estamos a organizar a resposta e a coordenar os serviços consulares”, indicou.

Questionada se não teme que a atual guerra no Irão crie instabilidade interna no país, incluindo guerras civis, Kaja Kallas respondeu que, com base no histórico das guerras no Médio Oriente, se sabe que “as coisas nunca são fáceis e que, num dia há guerra, e no dia a seguir há democracia”.

“Claro que há riscos e, quando falamos com os países da região, eles também estão preocupados com potenciais guerras civis no Irão. Ninguém sabe, mas os riscos existem realmente”, referiu, defendendo que a guerra não deve continuar e que o direito internacional deve ser respeitado.

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