No dia 20 de janeiro de 1932, o Teatro Rivoli abria pela primeira vez as suas portas e foi considerado, pela imprensa da época, «a última palavra em modernismo, em conforto e em bom gosto». Com cerca de dois mil lugares, renascia a partir do antigo Teatro Nacional (erguido no mesmo local), pelas mãos do empresário Manuel José Pires Fernandes, com traço do arquiteto José Júlio de Brito.
Este ano assinala-se o seu 93º aniversário e a festa teve início ontem, quinta-feira, e prolonga-se até domingo, dia 26, sob o mote «virar a casa do avesso». De acordo com comunicado distribuído à imprensa, serão quatro dias de portas abertas à comunidade e «o convite é para virar a casa do avesso, viajar ao ponto zero da humanidade e marchar sem parar. Ao som de um loop de teclado, de uma utópica composição de Monteverdi e de quase 300 hinos»

Uma festa pensada para a comunidade e que teve início com o público mais jovem. Quem passava junto ao Rivoli na manhã desta quinta-feira não ficava indiferente à quantidade de crianças que se juntaram para verem o espetáculo “Casio Tone Reprise”, reflexos da vida moderna por Sílvia Real e Sérgio Pelágio. Um espetáculo apresentado pela primeira vez também no Palco do Rivoli pela mão de Isabel Alves Costa, diretora nessa altura do Teatro Municipal do Porto. “Casio Tone Reprise” regressa 27 anos depois, trazendo “«Domicilia» que é virtualmente capaz de reproduzir qualquer movimento, qualquer intenção, sem nunca nos dizer quem realmente é. Reflexos da vida moderna.” Desta vez a remontagem é dedicada à memória de Mónica Lapa (1965-2001).
Esta sexta-feira e sábado, o encenador Benjamin Abel Meirhaeghe dá vida aos Madrigali guerrieri et amorosi de Monteverdi com uma energia utópica. É um espetáculo musical centrado no “ponto zero”. Esse ponto primordial que representa o fogo em torno do qual os primeiros humanos se reuniam, o buraco negro cósmico onde o tempo e o espaço desaparecem. Madrigals leva-nos de volta à fonte, navegando contra a corrente. O ponto zero simboliza a fusão da música clássica e contemporânea no batimento cardíaco de um novo mundo.

Foto de Beatriz Pereira – direitos reservados
Durante a tarde de sábado, sob a produção de Carlos Azeredo Mesquita poderão ouvir-se cerca de 300 gravações a capella de hinos nacionais enquanto 4 músicos de uma banda filarmónica tocam e marcham sem parar. Os hinos são legendados em tempo real e a peça é acompanhada por um libretto com 15 metros de comprimento lhes dá contexto. O público pode participar num sorteio de comida grátis por cada 20 minutos a que assista. A utópica composição repetir-se-á durante a tarde de domingo.
A noite deste sábado encerrará no TMP café com uma festa, ao som da batida de Pedro Coquenão, DJ Set. a partir das 23h30.
A festa já começou, as portas já se abriram e o convite está feito à comunidade. Todas as propostas artísticas são de acesso gratuito, mediante levantamento de bilhete nos dias das sessões, a partir das 10h, nas bilheteiras do Teatro Municipal do Porto – Rivoli.
Texto | Maria João Coelho
Fotos | Beatriz Pereira – direitos reservados
Colaboradora/Filósofa














