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Domingo, Fevereiro 15, 2026

Taça de Portugal: FC Porto, 1 – Benfica, 0 – Bednarek desequilibrou e coloca portistas nas “meias”

Com este triunfo ( 1-0) sobre o Benfica, o FC Porto segue para as "meias-finais" da Taça de Portugal, em jogo de qualidade razoável. Apesar de ter sido o equilíbrio a nota dominante, a equipa de Farioli foi mais prática e objetiva, justificando a vitória pela margem mínima.

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Há várias formas de encarar um jogo de futebol. Duas delas são:  pela qualidade das equipas, independentemente do resultado e, a outra,  “ o que interessa é ganhar“.

Rodrigo Mora, FC Porto, entre os benfiquistas Pavlidis e Leandro Barreiro. Foto de GONÇALO BRAVO

Na noite de ontem estiveram, frente -a-frente, dois treinadores “resultadistas” – interessados em ganhar, fosse de que maneira fosse. E tinham razão para isso.

Os forasteiros, liderados por aquele que já foi considerado o melhor treinador do mundo, vão vendo os seus objetivos de época a esvairem-se. Depois da eliminação na Taça da Liga, o que gerou um certo mal-estar nas suas hostes (até a questão da braçadeira de capitão foi assunto que um canal de televisão gastou horas a discutir, o que não aconteceria, certamente, se a equipa lisboeta tivesse eliminado o Braga), um semblante carregado de José Mourinho nas conferências de imprensa, e não precisamos de ser muito entendidos em futebol para perceber que uma vitória no Dragão era crucial para os “encarnados” como a saúde o é para quem está doente.

Martin Fernandes Jogou 79 minutos com uma lesão no nariz. Foto de GONÇALO BRAVO

Um triunfo do Benfica, ajudaria a afastar algumas “nuvens negras” que teimam em manter-se lá para os lado da Luz. E  sobre o FC Porto, melhor ainda. Além de que, permitia à equipa ter ainda dois títulos para lutar. Com a derrota, resta-lhe o campeonato, onde está a 10 pontos do comandante. 

William Gomes e Dahl travam animado despique. Foto de GONÇALO BRAVO

Este alívio emocional de que o benfica está a precisar, notou-se no jogo que a equipa realizou. Independentemente das ausências, de que tanto se queixa o seu treinador, o “onze” esteve muito melhor do que no jogo para a Liga, disputado também no Porto. Mais intenso, mais unido, mais rápido, mais equilibrado, melhor a jogar sem bola e, sobretudo, com mais vontade de vencer. Dos três remates enquadrados com a baliza ( foram 13 ao todo), criou perigo e poderia ter marcado, um deles, mesmo ao cair do pano; mas se a defesa portista vacilava, Diogo Costa impunha-se com categoria aos avançados do Benfica.

Borja Sainz ilude defesa benfiquista. Foto de GONÇALO BRAVO

Thiago Silva

O FC Porto está a fazer uma carreira de qualidade. Vê-se um conjunto muito coeso e determinado, em que a entreajuda funciona às mil maravilhas. É aquilo a que Francesco Farioli chama “família portista”. Dos 12 remates efetuados (menos um do que o seu adversário), seis foram enquadrados e um entrou. E não nos pareceu que o treinador italiano quisesse muito mais do que o resultado. Importava ganhar para manter os níveis de confiança em alta. O FC Porto joga de forma muito prática. Quando importa destruir, destrói. Quando toca a defender, defende e se for necessário atirar a bola para fora ou para diante, não se faz rogado.

Mas o setor mais forte dos “azuis e brancos” é a defesa. O “miolo” da defesa, principamente – Bednarek e Kiwior são muito seguros a defender e de grande qualidade no passe. Ontem juntou-se mais um – Thiago Silva. E nem parecia ter chegado à Invicta há tão pouco tempo, muito menos ser o primeiro jogo que estava a fazer. Thiago parecia que nunca dali tinha saído, tal era o à vontade, eficácia e compreensão do jogo da equipa. Mais um pilar para uma estrutura defensiva de grande qualidade.

Não foi, garantimos, um dos melhores jogos entre estas duas equipas. Longe disso. Mas o que faltou em “arte” sobrou em “querer”. Os conjuntos, que tanto respeito demonstraram um pelo outro no jogo do campeonato, ontem rebelaram-se. Ganhar, só importava ganhar. E tudo faziam para isso – poucas vezes bem, é certo – com quezílias à mistura.

Bednarek, após um canto na direita, executado por Gabri Veiga, saltou mais alto do que a defesa do Benfica e fez o golo solitário com que acabou o jogo. Foi o terceiro de uma sequência de cantos contra o Benfica. Um golo muito festejado, a comprovar que, também para o FC Porto era importante o triunfo. Psicologicamente, muito importante numa altura em que Farioli vai refazendo a sua equipa.

De salientar que da refrega, sairam duas lesões com alguma gravidade. Uma para cada lado. Bednarek (será avaliada hoje) e Richard Ríos (agravou a que já tinha e teve de ser substituído).

Samu e Tiago Araújo travam intenso duelo. Foto de GONÇALO BRAVO

Quem jogou quase o tempo todo com o nariz em muito mau estado foi Martin Fernandes, do FC Porto. A lesão aconteceu ainda na primeira parte, sangrou, foi assistido, mas aguentou-se até aos 76 minutos, altura em que foi substituido por Alberto.

Diogo Costa, Bednarek , Martin Fernandes e Pepê estiverm muito bem nos portistas. Trubin, António Silva, Dudic e Barreiro, foram os melhores dos “encarnados”

Com este triunfo, o FC Porto continua imbatível nas competições internas e passa às “meias-finais” da Taça de Portugal.

O Benfica continua a lamber as feridas e tem no sábado uma deslocação a Vila do Conde, onde procurará encontrar, novamente, o rumo das vitórias.

Declarações

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Contra uma equipa deste nível e desta qualidade nunca é fácil”

Francesco Farioli. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Foi uma semana especial por muitas razões. Os dias que passámos no Algarve foram fantásticos, com uma energia muito positiva, e isso sentiu-se em campo.

Sabíamos que ia ser um jogo muito complicado, contra uma equipa com muita qualidade. Ganhar um jogo como o de hoje é especial. A ligação com os adeptos e a celebração no final também foram muito importantes. Agora é tempo de acalmar, porque no domingo temos um jogo muito importante em Guimarães.

Era um desafio que esperávamos difícil, com vários jogos dentro. Controlámos bem a partida e conseguimos marcar, mas merecíamos ter feito o segundo golo.

No segundo tempo acabámos por sofrer um pouco mais, mas defendemos bem. Contra uma equipa deste nível e desta qualidade nunca é fácil. O desempenho foi muito positivo por parte de todos os jogadores. A atmosfera fantástica no estádio e o apoio do clube sentiram-se claramente dentro de campo. Estou muito agradecido aos adeptos.

O golo surgiu num bom momento. Antes disso já tínhamos tido dois ou três cantos consecutivos e estávamos a criar oportunidades, também em jogo corrido. Na segunda parte, o jogo mudou um pouco e tivemos de sofrer mais, mas essa capacidade também faz parte da equipa. Tivemos algumas dificuldades, é verdade, mas fizemos um bom jogo e alcançámos um bom resultado.

O Thiago Silva chegou em muito boa condição física, vinha de vários jogos no Brasil. Entrou muito bem na equipa, esteve seguro com bola, foi excelente a defender e trouxe liderança e calma. Vamos precisar muito dele, porque, com a provável ausência de Bednarek nos próximos jogos, será um jogador fundamental”.

 

 Diogo Costa (jogador do FC Porto):” É sempre importante ganhar, mas já pensamos no próximo jogo”

Foto de VÍTOR LIMA/arquivo

“Foi um jogo diferente (do 0-0 no campeonato), mas, como todos sabem, é sempre um dia especial para se ganhar, a um rival com o qual queremos sempre competir e vencer. Temos trabalhado da forma como jogamos. Sabemos que o trabalho é sempre mais importante do que a qualidade e hoje é a prova disso. Hoje em dia tudo é importante e trabalhamos sempre ao máximo e no pormenor também.

É sempre importante ganhar, mas já pensamos no próximo jogo, é essa a nossa mentalidade. Temos um jogo super complicado no domingo e temos de mudar a página e seguir em frente, fortes. Quando há este espírito, união e trabalho, a qualidade vem ao de cima.

Chegada do Thiago Silva.” É sempre um prazer enorme para mim, toda a equipa e FC Porto. Veio acrescentar qualidade. É uma pessoa extremamente humilde que veio para trabalhar. É um prazer enorme jogar com ele e espero que, juntos, possamos ganhar mais. Humildade e capacidade de trabalho são das melhores qualidades dele.”

A renovação do treinador Francesco Farioli. “É extremamente merecida. É um treinador diferente, sentimos que, para o pouco tempo que tem no clube, tem imensa experiência e é muito assertivo nas suas ideias. Somos privilegiados ter pessoas assim do nosso lado, pois assim é mais fácil ganhar”.

 

 António Silva (jogador do Benfica):“Fica a mágoa de não passarmos…”

António Silva ( SL Benfica). Direitos Reservados

“Vínhamos com a ambição de ganhar. Fomos a equipa mais forte em campo. Sofremos um golo de bola parada. Fomos uma grande equipa. Carregámos e jogámos no meio-campo defensivo do FC Porto. Criámos as nossas oportunidades. Ficou uma grande demonstração da nossa equipa.

Somos uma equipa muito forte, em qualidade individual. Tem faltado agressividade nos duelos e sermos mais pressionantes. Hoje conseguimos isso. Fisicamente apresentámo-nos muito bem.

Fica a mágoa de não passarmos. Conseguimos criar, que a bola chegasse aos corredores laterais. Criámos muitas oportunidades, até com ligações por dentro. Faltou-nos um bocadinho de sorte”.

 

 José Mourinho (treinador do Benfica):”Acho que o Benfica fez um bom jogo.”

José Mourinho, treinador do Benfica. Direitos Reservados

“A melhor equipa perdeu, mas a melhor equipa não fez golo e sofreu um. Controlámos o jogo a belo prazer, contra uma equipa que tem muita intensidade a defender e a atacar.

Sofremos um golo de bola parada, onde, em função de algumas ausências, os nossos jogadores que estavam a marcar individualmente fora da zona eram Dahl, Barreiro e Dedic, a marcar Bednarek, Kiwior e companhia.

Sofremos um golo de bola parada e controlámos o jogo. Sem muitas oportunidades de golo, mas com um domínio claro, contra uma equipa em alta de moral e confiança.

Estou chateado pelos jogadores, acho que o Benfica fez um bom jogo.”

 

Ficha

Jogo no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Benfica, 1-0.

Ao intervalo: 1-0.

Marcador: 1-0, Jan Bednarek, 15 minutos.

FC Porto: Diogo Costa, Martim Fernandes (Alberto Costa, 76), Thiago Silva, Jan Bednarek (Alberto Costa, 76), Kiwior, Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 62), Pepê (Stephen Eustáquio, 88), Samu e Borja Sainz (William Gomes, 62).

Suplentes: Cláudio Ramos, Alberto Costa, Prpic, Alan Varela, Stephen Eustáquio, Rodrigo Mora, William Gomes, Pietuszevski e Deniz Gül.

Treinador: Francesco Farioli.

Benfica:  Trubin,  Dedic, Tomás Araújo, António Silva,  Dahl, Ríos (Sudakov, 43), Aursnes, Prestianni ( Schjelderup, 74), Barreiro,  Lopes Cabral (Ivanovic, 83) e Pavlidis.

Suplentes: Diogo Ferreira, João Fonseca, Gonçalo Oliveira, Manu Silva, Barrenechea, Sudakov, João Rego,  Schjelderup e Ivanovic.

Treinador: José Mourinho.

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Richard Ríos (39), Pavlidis (45+2), Dedic (45+3), Samu (45+3), Bednarek (45+7), Pepê (68), Tomás Araújo (68), Gabri Veiga (84), Rodrigo Mora (85) e Prestianni (90+6).

Assistência: 47.634 espetadores.

 

Benfica faz queixa à FPF por “tratamento vergonhoso” dos seus adeptos no “Dragão”

O Benfica anunciouque vai apresentar queixa à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) contra o que considera um “tratamento vergonhoso” dos seus adeptos no estádio do FC Porto, no jogo da Taça de Portugal.

“Os adeptos do Benfica foram obrigados a descalçar-se sobre um chão molhado, num procedimento que não se encontra previsto em qualquer regulamento e que teve como único propósito a humilhação dos benfiquistas, entre os quais se encontravam várias pessoas de idade avançada”, refere o clube em comunicado.

O Benfica acrescenta ainda que muitos dos adeptos apenas conseguiram chegar aos seus lugares “já com a segunda parte em curso”.

“Trata-se de um comportamento absolutamente inaceitável por parte dos responsáveis de segurança do FC Porto, que, infelizmente, se tem tornado prática reiterada sempre que o Benfica disputa jogos neste estádio”, concluiu.

 
 

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos e Carlos Alberto Silva (Texto); Gonçalo Bravo (Fotos)

 

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