Siza Vieira disse que já previa que ficasse fora da lista do Património Mundial da UNESCO

O arquiteto Álvaro Siza Vieira afirmou hoje que não se surpreendeu com a rejeição da candidatura das suas obras em Portugal ao Património Mundial da UNESCO, sublinhando que o processo "demora muito tempo" e que "quase só tem casinhas e ruínas" no país.

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O arquiteto Álvaro Siza Vieira declarou esta quarta-feira que já previa que a sua candidatura ao Património Mundial da UNESCO fosse rejeitada, considerando natural a decisão do comité, dado o tempo necessário para estes processos e a limitação da proposta às obras realizadas em Portugal.

“Eu previa que fosse deixada de fora. Disse às pessoas que tomaram a iniciativa: ‘isso não dá’. Essas coisas demoram muito tempo e o tempo conta muito nas apreciações feitas”, disse Siza Vieira aos jornalistas, à margem de uma apresentação da Câmara do Porto sobre um projeto de loteamento para a Avenida da Ponte.

A candidatura, intitulada “Obras de Arquitetura de Álvaro Siza em Portugal”, foi coordenada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e incluiu oito obras do arquiteto, como a própria FAUP, o Museu de Serralves e o Bairro da Bouça (Porto), a Piscina das Marés e a Casa de Chá da Boa Nova (Matosinhos), o Pavilhão de Portugal (Lisboa), a Igreja do Marco de Canaveses e a Casa Alves Costa (Caminha).

Na sua decisão, o Comité da UNESCO recomendou reconceptualizar a proposta, passando a incluir “uma seleção reduzida de exemplos influentes a nível internacional” e exigindo que as obras selecionadas estejam classificadas como Monumentos Nacionais.

“Em Portugal quase que só tenho ruínas e casinhas. Onde tenho obra é na Holanda, na Alemanha, na Itália, na Coreia, na China”, observou Siza Vieira, em tom crítico e irónico, referindo a sua consagrada carreira internacional.

O Comité apontou ainda falhas na integridade, proteção e plano de gestão das obras candidatas, recomendando uma abordagem mais robusta, incluindo a definição de estratégias de risco, manutenção e comunicação, bem como a criação de uma entidade gestora centralizada.

A 47.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO decorreu em Paris desde 6 de julho e termina hoje. A próxima edição, em 2026, será realizada em Busan, na Coreia do Sul.

Para além da candidatura de Siza, Portugal submeteu ainda relatórios de estado de conservação do Santuário do Bom Jesus (Braga), do Real Edifício de Mafra e do Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros.

OC/RPC/LUSA

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