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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2026

Rescaldo da noite de violência em Santo António dos Cavaleiros e Arrentela com autocarros incendiados

Na última noite, dois autocarros e oito veículos foram incendiados em Santo António dos Cavaleiros e na Arrentela, resultando em três feridos. A PSP deteve 13 suspeitos e identificou outros 18. O motorista de um autocarro encontra-se hospitalizado com queimaduras graves.

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Incidentes com Autocarros Incendiados 

Na madrugada de sexta-feira, dois autocarros foram incendiados em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures, e na Arrentela, concelho do Seixal, gerando grande preocupação entre os moradores. O ataque resultou em graves ferimentos no motorista de um dos autocarros, que sofreu queimaduras na face, tórax e membros superiores e está internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. A PSP informou que deteve 13 suspeitos e identificou outras 18 pessoas em várias operações ligadas à escalada de violência na região. 

Segundo testemunhas, a primeira explosão em Santo António dos Cavaleiros ocorreu por volta da 1h30 da manhã. “Há uma e meia da manhã, eu ouvi da primeira explosão”, relatou um residente local, descrevendo o início da série de eventos violentos que seguiu. O incêndio alastrou rapidamente a outros veículos, resultando em oito carros completamente destruídos. 

 Pânico entre os Moradores 

Ana Silva, residente em Santo António dos Cavaleiros, descreveu a cena de caos: “Vejo pessoas a fugir, algumas deviam estar a tirar os carros, outras a pé, a gritar. O autocarro ardeu e, depois, carros começaram a explodir”. A rápida propagação do fogo e as explosões repetidas aumentaram o pânico no local. 

O motorista do autocarro, que foi atacado quando o veículo estava na fase final do percurso, é a vítima mais gravemente ferida deste incidente. As autoridades locais continuam a investigar as causas e motivações do ataque. 

 Danos Materiais e Alastramento do Fogo 

O fogo destruiu completamente o autocarro e vários outros veículos nas proximidades. Ao amanhecer, os vestígios da violência eram evidentes nas ruas de Santo António dos Cavaleiros, com o autocarro reduzido a cinzas e três outros carros carbonizados. “Estava muito barulho, bum, bum, três, quatro vezes”, relembrou uma testemunha sobre as várias explosões que marcaram a noite. 

Na Arrentela, outro autocarro foi incendiado, seguindo um padrão semelhante ao ataque em Loures. Os moradores também relataram explosões e um grande incêndio. “Quando cheguei, o fogo já estava grande, uma nuvem preta”, disse uma testemunha local. 

 Autoridades em Estado de Prontidão 

As forças de segurança intensificaram as operações na Grande Lisboa e na Margem Sul. A PSP assegurou estar em “estado de prontidão” e adotou uma postura de “tolerância zero” face aos atos de violência. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, garantiu celeridade na investigação dos incidentes, nomeadamente a morte de Odair Muniz, que deu origem a distúrbios em bairros da Grande Lisboa. 

O Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, afirmou que as imagens de videovigilância já estão nas mãos da Polícia Judiciária e que serão cruciais para reconstituir os acontecimentos que levaram à morte de Odair Muniz. “Vamos ser o mais céleres possível”, disse Procurador-Geral, sublinhando a necessidade de se apurar com rigor as circunstâncias da morte e os princípios da legítima defesa no uso da força por parte da PSP. 

 Contexto Político e Protestos Marcados 

A situação de violência urbana tem sido acompanhada de fortes reações políticas. Durante um debate televisivo, Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, fez declarações polémicas ao afirmar que “se disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem”. Estas declarações geraram um protesto no Parlamento, com vários partidos a acusarem Pedro Pinto de incitamento ao ódio. O PS classificou as suas palavras como “gravemente atentatórias do Estado de Direito e dos direitos fundamentais dos cidadãos”. 

Em resposta à crescente tensão, o Chega anunciou uma manifestação de apoio à polícia para este sábado, a ter lugar em frente ao Parlamento. Contudo, no mesmo local e à mesma hora, está agendada outra manifestação, organizada por grupos que exigem justiça para Odair Muniz, morto por um agente da PSP. 

 Preocupações Crescentes com o Alastramento da Violência 

Com os protestos marcados e o clima de tensão social a crescer, há receios de que novos confrontos possam surgir nos próximos dias. O presidente da Câmara Municipal do Seixal referiu que os ataques desta noite parecem ter sido executados por um grupo organizado, que agiu de forma coordenada antes de se retirar rapidamente da zona. 

Embora a noite tenha sido mais calma  noutras áreas da Grande Lisboa, como o bairro do Zambujal, na Amadora, e na Portela, em Carnaxide, os episódios de violência da última noite trouxeram à superfície preocupações sobre a segurança pública e o potencial alastramento dos tumultos. As próximas horas serão decisivas para as autoridades, que procuram evitar novos episódios de violência, enquanto as investigações prosseguem para apurar os responsáveis pelos ataques.

OC/RPC

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