Porto | Violeta de José Valente encerrou festa do Dia do Vizinho

O violista e compositor José Valente esteve presente no Museu do Carro Elétrico para o concerto de encerramento da festa final do Dia do Vizinho, uma iniciativa cultural dinamizada pelas Bibliotecas do Porto em parceria com os Museus. José Valente apresentou o seu trabalho "Quem é o José Valente".

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José Valente apresentou o seu último trabalho, em concerto, no MUseu do Carro Elétrico, no Dia do Vizinho. Foto de VÍTOR LIMA

José Valente, violetista, músico, compositor, já foi entrevistado em O Cidadão para a nossa rubrica “Reflexões Sonoras” para O CIDADÃO TV. Ouvir/ver  aqui

O artista aproveitou para divulgar o seu álbum “Quem é o José Valente”, tema que se enquadar muitop bem neste evento cultural.

Dia do Vizinho

A celebração transforma os espaços culturais da cidade em pontos de encontro abertos à comunidade, promovendo a proximidade entre instituições e moradores. Cada edição decorre num local diferente e é preparada em conjunto com a população local, envolvendo artistas, associações, coletivos e várias entidades do território.

Desde o início da manhã até ao final da tarde, o programa oferece atividades para todas as idades e gostos: oficinas criativas, visitas orientadas, jogos, momentos musicais, conversas informais, pequenos percursos culturais e até pausas para simplesmente desfrutar do ambiente. Há ainda espaço para que os próprios vizinhos partilhem talentos, projetos e criações, num verdadeiro espírito de comunidade.

Concerto

O concerto surge como o momento alto desta jornada festiva. Durante a atuação, José Valente apresentou novamente o seu mais recente trabalho discográfico, “Quem é José Valente”, quinto álbum da sua carreira, no qual explora novas abordagens sonoras e uma identidade artística cada vez mais definida.

José Valente e uma das suas viotetas ((violas de arco). Foto de VÍTOR LIMA

Curiosamente, esta foi a terceira apresentação do artista na cidade do Porto, uma coincidência que o próprio encara com naturalidade, admitindo que poderá ser a última dedicada a este disco na cidade.

O músico destacou ainda o simbolismo do local escolhido para o espetáculo, considerando o museu um espaço “diferente, especial e muito bonito”, oferecendo um enquadramento particularmente interessante para o concerto.

O músico e o seu instrumento de eleição. Foto de VÍTOR LIMA


Em palco, José Valente utilizou duas violas de arco, uma acústica e outra amplificada — criando um diálogo sonoro entre os instrumentos. Apesar de não serem tocados em simultâneo, cada um assume repertórios distintos, permitindo ao artista explorar as múltiplas possibilidades do instrumento e evidenciar o seu ecletismo musical, uma das suas principais características.

Belo exemplar de uma violeta. Foto de VÍTOR LIMA

Mas é na forma como se entrega à música que o espetáculo ganha uma dimensão quase íntima. José Valente toca muitas vezes de olhos fechados, como se o mundo exterior se apagasse à sua volta. Não procura a nota, sente-a. Cada som nasce de dentro, guiado pela emoção e por uma ligação profunda ao instrumento.

O arco desliza com delicadeza, a madeira vibra e a melodia ganha vida como se transportasse sentimentos antigos e estados de alma difíceis de traduzir por palavras. Não é apenas música: é respiração, é pulsação, é verdade.

Reportagem OC: Vítor Lima (Texto e Fotos)

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