Pelas 17:10 subiram ao palco os elementos desta orquestra. O primeiro tema “E Depois”, do pianista Pedro Nobre que iria assinar mais composições, trouxe-nos uma melodia com laivos de melodias tradicionais portuguesas, com um compasso de 12/4 (pareceu-me…), que serviu de base ao solo do guitarrista que nos recordou sonoridades de John Scofield…Acaba o solo de guitarra, excelentemente executado, e o compasso 4/4 alimenta o solo de piano, com pinceladas de bateria no final. O segundo tema “Sensual” de Eduardo Cradinho, um jovem vibrafonista que recentemente e com toda a justiça, venceu o prémio do melhor disco de jazz português, com uma forte concorrência…
Cradinho, além de ser um excelente músico, cativou-nos pela forma empática, prazerosa e comunicativa como se retratou em palco.
“Mente”, foi o tema apresentado de seguida, com uma entrada típica de um hino, do compositor e pianista Pedro Nobre. O vibrafone expõe o tema, com uma entrada tímida e arredia, mas sublime, dos trombones. O maestro César Cardoso é o autor do tema “Groove It”, um tema diabólico, com situações contrapontísticas onde os diferentes ritmos são os motores que alavancam a peculiaridade composicional…Com os saxofones a acentuarem as entradas dos compassos.

O quinto tema foi muito engraçado, pois com a dificuldade do maestro em apresentar o nome do tema, pediu ao compositor Pedro Nobre para vir pronunciá-lo, qualquer coisa como: “160…”, não consegui entender…Um grande solo de sax alto, com uma intervenção pujante da guitarra e eu pensava que estava tudo “dito”, mas o meu amigo e grande trombonista Ruben Luz, veio demonstrar o contrário, pois fez um solo à sua medida e tamanho (O Ruben é muito alto…). Estivemos juntos no projeto que eu criei para o José Cid, “Acid Jazz”. O Cid a interpretar, quase exclusivamente jazz e blues! E também no Hot Club do TAF -Trio António Ferro, com o baterista Henry de Sousa, a fazer lembrar (obviamente com as devidas distâncias…) do Trilogy (Albert Mangelsdorf no trombone, Jaco Pastorious no baixo elétrico e do Alphonse Mouzon na bateria), de 1976, em Berlim.
César Cardoso
Agora vou fazer umas referências ao maestro, o saxofonista César Cardoso. Tenho acompanhado o seu percurso musical. Licenciou-se pela Escola Superior de Música de Lisboa, um dos membros fundadores do grupo de dixieland, “Desbundixie”. O seu primeiro disco de originais “Half Step”, teve excelentes críticas da imprensa e seguiram-se em 2015 “Bottom Shelf” e em 2018, o disco “Interchange”. Os seus livros sobre a teoria do jazz (volume 1 e 2), vieram apoiar os músicos portugueses, com dificuldade de acesso a livros internacionais sobre teoria e improvisação.
E não poderemos esquecer os “Concertos para Bébes” que ele tão bem superintendeu. É de músicos destes que Portugal precisa, com: iniciativa, diligência, empreendimento, acometimento e prontidão.
Músico/Colaborador














