Porto | Projeto de inclusão social ensina português a 20 jovens imigrantes

Projeto promovido pela Cooperativa de Solidariedade Social e Educação (Coopeduforma) recebe jovens com idades entre os 6 e 15 anos oriundos da Índia, Paquistão, Bangladesh, Colômbia, Rússia, Argentina e Ucrânia.

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Um projeto de inclusão social ensina desde setembro de 2025 a língua portuguesa a mais de 20 jovens imigrantes no concelho do Porto, num apoio que se estende às respetivas famílias.

Promovido pela Cooperativa de Solidariedade Social e Educação (Coopeduforma), o projeto recebe jovens com idades entre os 6 e 15 anos oriundos da Índia, Paquistão, Bangladesh, Colômbia, Rússia, Argentina e Ucrânia.

Em declarações à Lusa, a representante da instituição, Andreia Dias, explicou que a escolha de “Projeto Taxi” para a formação aponta para universalidade e globalidade que esta iniciativa pretende ter, por ser uma palavra conhecida em todos os países.

Este projeto nasceu da necessidade que fomos tendo, no concelho do Porto, de termos uma intervenção adicional com crianças imigrantes. (…) Nós sabemos que as escolas fazem um trabalho fantástico, no entanto, aquilo que pretendíamos era ser um complemento e um reforço, para que estas crianças pudessem usufruir verdadeiramente da igualdade de oportunidades”, explicou a responsável.

E isso acontece, segundo Andreia Dias, através da aprendizagem da língua portuguesa, do apoio psicossocial e ainda de uma ‘app’, que acaba por reforçar toda a aprendizagem que acontece dentro de sala.

As crianças chegam ao projeto através das parcerias estabelecidas pela cooperativa com associações locais e agrupamentos de escolas, tendo as aulas uma duração semanal de duas horas, disse.

O apoio prevê também encontrar locais para que as crianças que “vivem em contextos mais complexos” consigam ter “um espaço de estudo que lhes permita ter maior sucesso na escola e, palavra a palavra, garantir a inclusão”, assinalou.

As aulas decorrem nas instalações da Escola Profissional de Comércio Externo.

O projeto é gratuito e financiado pelo Portugal Inovação Social, Portugal 2030 e pela União Europeia, sublinhou Andreia Dias, garantindo que irá durar até 2028.

A abordagem pedagógica “é muito informal” explicou à Lusa a professora Maria Odete Freitas depois de ter explicado aos alunos, com palavras, gestos e o auxílio de um cravo o que significou a revolução de 25 de Abril de 1974.

Segundo a docente, tudo acontece num registo “sempre muito descontraído” com o “gesto associado à palavra”, pois “em termos pedagógicos funciona muito bem na aprendizagem de línguas”.

No momento em que os jovens chegam, o recurso ao inglês serve para a primeira abordagem, explicou a professora, garantindo que a evolução dos alunos “é espetacular”, confirmando-se as vantagens de complementar as palavras com a parte mais lúdica, sublinhou.

Educadora social do projeto, Isabel Marques assegurou à Lusa ser “a língua um instrumento de integração e de inclusão”, acreditando que, ao participarem neste percurso, a integração futura dos jovens será mais bem-sucedida do que foi a dos pais, que neste momento passam por processos bem mais complicados, quer ao nível da aceitação dos outros, quer ao nível da aceitação dos costumes, da religião, dos próprios valores”.

Na sala cheia de jovens em que as bandeiras à frente de cada um assinalam a sua origem, a reprodução, em cartão, de um táxi dá a volta, permitindo que cada um se apresente no melhor português que já consegue dizer.

Basim, de 09 anos, oriundo do Paquistão, está há dois meses no projeto, mas revela facilidade em expressar-se na língua de Camões, confirmando à Lusa que “aprendeu muito rápido”, apressando-se, todavia, a dizer que gosta também de “jogar futebol e de saltar a corda” e que as palavras que, em casa, já ensinou aos pais foram o “olá e o porquê”.

A Coopeduforma está a desenvolver novos projetos de inovação social, entre eles o Kiss Your Mind, focado na saúde mental de jovens do ensino secundário, ajudando-os na gestão das emoções, das relações e na construção de um percurso escolar mais equilibrado, envolvendo escola e família, lê-se ainda no dossiê disponibilizado à Lusa.

OC/MP

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