Porto: A dignidade dos “tripeiros” não está à venda – Por Alberto Jorge Santos

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“O que quereis para votar em mim?” – Pergunta o candidato.
“Dinheiro, senhor!” – Respondo o Povo.
“O que estais a precisar?” – Volta a perguntar o candidato.
“De dinheiro, senhor!… “– Responde o povo.
“Então, é dinheiro que tereis….” – promete o candidato
Promete. E cumpre. O “zeeeeeee” de um drone, bem equilibrado no ar, faz rodar as cabeças. Surpresa! Veem-no a libertar notas, dinheiro.
“Está a chover dinheiro” – Diz o Povo, entre a surpresa e a exaltação
“Pois está! Prometemos, cumprimos” – afirma, com sorriso trocista, o candidato.

Não terá sido bem assim. Mas poderia ter sido. Esteve muito perto disto.
Os mais desatentos, não devem estar a entender. Eu explico.
No fim de semana, começou a campanha eleitoral de Aníbal Pinto, da Nova Direita, à Câmara Municipal do Porto. E no espaço em frente ao edifício camarário, um drone que sobrevoava o candidato, começou a despejar notas de 5 euros.

E os que por ali estavam, casualmente ou de propósito, iam vergando a coluna, alguns ajoelhados, apanhavam as notas, que se arrastavam, antes que o vento as levasse.

Tinha piada. Tinha! Se não fosse um momento triste, degradante, desrespeitoso para a pobreza que alastra em Portugal. Um insulto aos cidadãos mais necessitados.

O advogado Aníbal Pinto que ficou conhecido pelas suas presenças num programa de comentário futebolístico da CMTV, a par do também célebre André Ventura, pode ser um homem rico. Muito rico, até. Tão rico que pode distribuir dinheiro como quem distribui rebuçados às crianças. Nada tenho contra os ricos que, honestamente, tenham construído a sua fortuna.

Mas o candidato tem tantas instituições sérias na cidade, a precisar de dinheiro e não só, que lhe ficava bem ajudar financeiramente, já que pode.

O que fez na “baixa”, em frente à Câmara Municipal do Porto, de tão mau, nem merece qualificação.

Atirar notas de 5 euros para o povo, obrigando-o a joelhar-se para pegar a esmola, transporta-nos para tempos piores do que os da “caridadezinha”.
A cidade do Porto a precisar de tantas reformas, de projetos sólidos com soluções para os cidadãos… Aníbal Pinto atira notas de 5 euros… como se a cidade fosse um retábulo de miseráveis.

Bem sabemos da entrega de eletrodomésticos pelos votantes, na Região Metropolitana de Porto, em tempos que já lá vão. E das suspeitas a que tais atos levaram. Alguns desses protagonistas ainda estão a contas com a justiça.

O povo quer emprego, habitação, saúde, segurança e bons transportes. E uma revisão a tantos impostos injustos.

Tenho o candidato Aníbal Pinto como um homem inteligente. Por isso, não acredito que ache os cidadãos do Porto uns morcões. Não! Os tripeiros, de morcões não têm nada, apenas usam a palavra. E não é por lançar ao vento notas de 5 euros que o advogado ganha a Câmara.

Os cidadãos do Porto sabem que isso é um embuste. Um show à americana da política espetáculo.

Dr. Aníbal Pinto, não humilhe as pessoas com os seus sinais exteriores de riqueza! Apresente propostas sérias, exequíveis, que supram as dificuldades de uma cidade que vive a dois tempos: o do lado dos turistas e o outro. A cidade descaracterizou-se e o senhor sabe disso!

E na sua próxima ação de campanha, se for capaz, abandone o populismo e a demagogia. E não volte a obrigar os portuenses a colocarem-se de cócoras a apanhar notas. Porque nem só de dinheiro vive o homem. E a dignidade desta gente tripeira não se vende a retalho.

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