Sempre admirei os que não precisam de se anunciar, porque simplesmente aparecem, fazem e entregam.
Não trabalham apenas para que sejam vistos, não se escondem em desculpas para justificar os atrasos. Limitam-se a estar onde é preciso, e a cumprir o que tem de ser cumprido.
São cada vez mais raros.
Parece que tudo agora exige máxima exposição. Todos os gestos parecem necessitar de ser comunicados, e os discretos tornam-se assim, quase revolucionários.
Os discretos não precisam de selfies nem de frases motivacionais nos grupos de WhatsApp. Não correm para serem os primeiros a falar nas reuniões. Pelo contrário, preferem ouvir. E, quando falam, todos percebem que valeu a pena a espera e o silêncio.
É para mim, curioso como as organizações se habituaram a confundir o protagonismo com o valor.
Na verdade, são os discretos que seguram a estrutura. São eles que mantêm a cadência diária, quando todos os outros vivem guerras de vaidade. São eles que aparecem todos os dias, sem exigir medalhas, sem se cansarem de fazer o que parece simples e banal.
É precisamente no banal que se constrói a espinha dorsal de uma equipa.
Nunca chegam atrasados porque não precisam da desculpa do trânsito.
Nunca esticam a sua pausa porque sabem respeitar o tempo.
Não vivem obcecados pelo relógio, mas também não o ignoram porque sabem que o respeito pelo tempo é também respeito pelos outros.
Não prometem o que não podem cumprir.
Não assumem compromissos impossíveis.
Não enchem o ar de palavras ocas.
Os discretos não aparecem em todas as fotografias, mas sem eles a fotografia não existe. Não disputam atenção, mas sem eles não há trabalho entregue. Não exigem elogios, mas são eles que tornam possível que outros brilhem.
O seu contributo é simples. Fazem bem, fazem certo, sempre com respeito.
Infelizmente, para muitos, isto não produz fotografias para as redes sociais, não enche relatórios de estudos de caso para o marketing interno, mas dá algo infinitamente mais importante. Dá estabilidade.
Qualquer líder que tenha passado por uma crise séria sabe isto. São sempre os discretos que mantêm a equipa a funcionar quando tudo o resto parece estar prestes a colapsar. Eles não precisam de ordens para agir. Não esperam reconhecimento para estarem motivados. Não reclamam pelo que não lhes foi oferecido.
Continuam. Constroem. Seguram.
Talvez seja isto o que mais me fascina. No mundo atual, com ruído constante, são os discretos que continuam a ser indispensáveis.
Ora, aqui está a lição que eu recolho desta reflexão. O profissionalismo não se mede pela quantidade de vezes em que o nome aparece em destaque, mas pela certeza de que, aconteça o que acontecer, eles vão estar lá. Sem barulho. Com presença. Sem espetáculo, mas com o devido impacto.
Apesar dos discretos não o dizerem em voz alta, todos os que já trabalharam com eles sabem perfeitamente.
Os discretos – Por Rui Rodrigues
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Doutorado em Administração de Empresas | Consultor e Formador | Fundador da MindsetSucesso | Investigador em Sucessão Empresarial, Liderança no Feminino e Desenvolvimento de Talento














