Dedico esta reflexão aos meus alunos(as) de Comércio Internacional na Atlântico Business School, porque são eles o verdadeiro pilar para o futuro dos sistemas democráticos.
Aturam-me com trabalhos sobre ideologias e, por isso, é justo dedicar este texto às pessoas que investem o seu tempo a aprender. Grato pela vossa dedicação. A cartilha encaixa na perfeição em todos os partidos à direita, já que a esquerda atual terá de reinventar-se: a imigração.
Isto e só isto é assunto em pleno século XXI, vejam só! Mas afinal o que aconteceu ao mundo, para este desequilíbrio, laboral, social, económico e político? Não podemos ter governos que olhem e tratem as sociedades de forma a melhorar a qualidade de vida dos seus povos? Portugal precisa de imigrantes, registados e pacíficos, para responder ao aumento exponencial dos serviços, especialmente no turismo, onde as escolas de Formação não conseguiram acompanhar os tempos.
Não, por favor, não digam que os portugueses não querem trabalhar…é mais fácil de fugir a questão principal. A questão é simples, aumentou, exponencialmente, o número de negócios de serviços, sem que o mercado e as escolas conseguissem responder. O número de desempregados é o mais baixo de sempre…Temos imensos indicadores que nos permitem avaliar, com exatidão, esta questão, sem margem de erro.
Mas, mesmo assim, fico cada vez mais espantado com a desfaçatez de Trump, que ao mundo e à América, só acrescenta confusão e inconsistência, com um discurso torpe, sem consequência, imberbe e muitas vezes confuso, alinhado com imagens e comunicação adaptadas aos novos tempos de quem lê a espuma das notícias. Defini esta corrente, como T(st)r(ea)um(ing)p, porque se adapta ao mundo digital de hoje, aos 4s: streaming, scrolling, searching e shopping.
Na verdade, mesmo lecionando marketing e afins, interessa-me os sistemas políticos e os seus movimentos, já que refletem a sustentabilidade e o suporte, como estudo e investigação. O reflexo das mudanças políticas e estados de humor destas lideranças e de quem as acompanha, fez com a que esta “onda”, nos sistemas democráticos mundiais, especialmente nos europeus, ficasse cada vez mais intensa em muitos países e Portugal não fugiu a essa questão.
Na Europa, já se percebeu que a Hungria tem o maior número de assentos no Parlamento (últimas eleições, teve 29% dos votos). A bancada de centro-direita apoia referendos para restringir a imigração, além de ter defendido a proibição da construção de mesquitas no país. É preciso terem consciência máxima para os fundamentos dos partidos de direita, ou de extrema-direita, que crescem na Europa, rapidamente: depois da Áustria e Hungria, passaram a estar em destaque em países como a Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Países Baixos e, agora, Portugal. A Entidade supranacional, EU, está a fracassar, no sistema que defendeu no pós-guerra? Que faria Monnet para inverter este declínio? Mas vamos a Trump, pela importância da democracia dos EUA, no mundo. Começa pela sua condição e pela negação já que é um “imigra”, filho de imigrantes e casado com uma imigrante. Vejam só o ridículo e a consistência das políticas contra imigrantes nos EUA!
A história ensinou-nos que os EUA foram construídos por imigrantes, muitas vezes, imigrantes europeus fugidos a guerras, com fome e miséria, ou seja, esta gente que renega e combate a imigração, saiu “do mesmo buraco”. Mas Trump, não deixa de ter razão quanto aos “Okupas” dos EUA, pois estes, fizeram com que os EUA ficassem irreconhecíveis, com britânicos, chineses, japoneses, italianos, portugueses etc. etc.
Esta malta é muito malandra e sabida, não acham? Sinceramente, como europeu, custa-me perceber o declínio da democracia “tipo” onde tudo tem regras e organização, em troca de uma anarquia sistémica que muitas vezes me faz refletir sobre a importância, ou não, do fim do sistema democrático. Temos obrigação de ler e estudar os sistemas políticos porque não tenho dúvidas, que todos ficaremos a perder, com tudo isto e não se trata de simples ciclos, mas sim de intenções cíclicas que na sua reversão, nunca será nada como antes. A velha história “para termos paz precisamos de no preparar para a guerra” no seculo XXI fará menos sentido, já o povo pode comparar sistemas.
Os autores de Ciência Política não se limitam apenas à tarefa de definir o Estado na sua essência, mas procuram entender como se organiza. A partir do cenário político em que estão inseridos, é comum que os teóricos mostrem preferência por certo sistema de governo e/ou forma de governo. O sistema de governo diz respeito à forma em que o corpo governamental se organiza – nas últimas décadas, os modelos mais recorrentes têm sido: o parlamentarista, o presidencialista e o semipresidencialista. Já a forma de governo refere-se à forma como se dá a relação entre governantes e governados (monárquica, republicana ou aristocrática). Não me ocorre que seja de outra forma, onde não podem caber monarquias, ditaduras, oligarquias e afins, de forma a manter, salvaguardado o único bem inalienável, que o 25 de Abril nos deu: a liberdade.
Não tenho dúvidas que o caminho é sinuoso e a grande responsabilidade assenta nesta juventude, que não lê, não escreve, não sabe e que recorre ao Gemini, Co-Pilot, extemporaneamente, para resolver a problemas ocasionais. Não mais do que isso e será esse o caminho que faremos se os povos não acordarem para o que se avizinha.
Preocupem-se em fazerem-se representados e habituem-se a exigir aos seus representantes. A democracia é o governo do povo. Agradeço os deliciosos debates que os meus alunos(as) me brindam com sensatez e conhecimento. O Comercio Internacional é muito mais sustentável nas democracias.

Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro ” Governação e Smart Cities”














