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Domingo, Janeiro 18, 2026

O futuro diplomático entre os Estados Unidos e a União Europeia

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Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia reagiu à publicação de um documento da administração Trump reconhecendo uma ruptura histórica na estratégia de defesa americana, agora direcionada à União Europeia.

Os Estados Unidos continuam a ser “o maior aliado” da União Europeia, disse a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, no sábado, 6 de dezembro, após a publicação da nova estratégia de segurança americana, resolutamente nacionalista, antecipando o “apagamento civilizacional” da Europa.

Claro, há muitas críticas, mas acho que algumas delas também são bem fundamentadas”, disse a diplomata europeia, quando questionada sobre o documento numa conferência de imprensa em Doha, no Catar. “Os Estados Unidos continuam a ser o nosso maior aliado (…) Nem sempre concordamos em vários assuntos, mas acredito que o princípio geral permanece o mesmo. Somos os maiores aliados e devemos permanecer unidos”, acrescentou.

O governo de Donald Trump divulgou na sexta-feira um documento que redefine sua “estratégia de segurança nacional” em linha com a abordagem “América em primeiro lugar” do presidente dos EUA.

O documento marca uma ruptura histórica ao atacar duramente os europeus, apoiando as alegações da extrema-direita de que o Velho Continente enfrenta um “apagamento civilizacional” devido à imigração. Ele também questiona “sua obsessão mal sucedida com asfixia regulatória”.

O documento também promete que não haverá ampliação NATO, mais uma vez frustrando as esperanças da Ucrânia enquanto ela sofre com a invasão russa. “A Europa subestimou seu próprio poder. Em relação à Rússia, por exemplo (…) deveríamos ter mais confiança em nós mesmos”, disse Kallas.

Autoridades ucranianas e americanas continuaram reunidas em Miami no sábado pelo terceiro dia consecutivo de negociações com o objetivo de encerrar mais de três anos de guerra com a Rússia. Mas as negociações não estão a ser fáceis, segundo o que se constata nos media internacionais.
“Continuar a impôr mais restrições à Ucrânia não nos trará uma paz duradoura”, alertou um funcionário da UE à Agência France Press. “Se a agressão for recompensada, ela acontecerá novamente, não apenas na Ucrânia ou em Gaza, mas em todo o mundo“, acrescentou.

Segundo fontes diplomatas citadas pelo jornal francês Le Monde, “é interesse fundamental dos Estados Unidos negociar uma cessação rápida das hostilidades na Ucrânia, a fim de estabilizar as economias europeias, evitar uma escalada ou extensão não intencional da guerra, restaurar a estabilidade estratégica com a Rússia e possibilitar a reconstrução pós-guerra da Ucrânia para que ela sobreviva como um Estado viável”.

A administração Trump não está de acordo com as autoridades europeias que “têm expectativas irreais sobre a guerra, vindas de governos minoritários instáveis, muitos dos quais desafiam os princípios básicos da democracia para suprimir a oposição”.

A grande maioria dos europeus quer a paz, mas esse desejo não se traduz em política, em grande parte devido à subversão dos processos democráticos por esses governos. Isso é de importância estratégica para os Estados Unidos, justamente porque os Estados Europeus não se podem reformar se estiverem atolados numa uma crise política interna. E o governo da administração Trump sabe disso.

OC/JP

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