Não me canso de dizer que ser professora é muito mais do que ensinar.
É viver, diariamente, uma troca genuína de afetos, experiências e aprendizagens. Quando entrei numa sala de aula pela primeira vez, pensei que era eu que ia ensinar, e assim é, mas com o passar do tempo, percebi que quem mais aprende sou mesmo eu.
O que as crianças me dão, muitas vezes sem sequer perceberem, vai muito além dos conhecimentos que lhes quero transmitir. São estes pequenos seres que me curam, me sustentam e, sem saber, me ajudam a ultrapassar os desafios da vida. Assim tem acontecido nos maiores problemas que tenho enfrentado…
As crianças têm a sua forma de ver o mundo, que é única: simples, espontânea e, sobretudo, cheia de Amor. Enquanto nós, os crescidos, tendemos a complicar algumas situações, as crianças veem as coisas com clareza, livres de preconceitos ou medos impostos pela nossa própria vida. As crianças não analisam excessivamente, não julgam, não impõem barreiras…
Para elas, o Amor é a resposta natural para qualquer situação, e é com esse Amor genuíno que me ensinam, dia após dia, o verdadeiro significado de viver.
Quando os dias são pesados e a vida adulta parece exigir demais, são elas que, com um sorriso e com palavras inocentes, mas sentidas, aliviam a minha carga. Quando me sinto perdida nos meus dilemas, são elas que, com gestos de carinho, me trazem de volta ao presente, ao que realmente importa, que na realidade, são eles, os pequenos. As crianças não fazem, como nós, grandes planos para solucionar problemas. Elas simplesmente agem com o coração, mostrando que, às vezes, a solução está naquilo que é mais simples e verdadeiro.
Muitas vezes, sem que eu diga uma palavra sobre o que se passa ou sobre o que sinto, as crianças oferecem-me exatamente aquilo de que preciso: um abraço apertado, um desenho feito com todo o carinho, um elogio, um olhar de confiança…
É nesses momentos que percebo que, de alguma forma, elas sabem. E elas sabem porque sentem. Vivemos juntos uma grande parte do dia e vivemos coisas que são só nossas e que elas entendem, porque são nossas. Não que entendam as complexidades da vida adulta, mas pura e simplesmente porque sentem. Sentem com um coração puro, com a empatia natural que as crianças têm.
A maneira como elas vivem o presente, como se cada momento fosse único e especial, ensina-me a valorizar o agora, o que temos, o que construímos. Para as crianças
o passado não pesa sobre os seus ombros, o futuro é uma curiosidade e não uma preocupação. O que importa é o instante, o riso, a alegria de uma brincadeira, o Amor compartilhado.
Tenho sorte! Ao longo de um percurso de trinta anos, são as minhas crianças que me recordam que viver não tem de ser complicado e que os momentos de felicidade estão nas pequenas coisas: no brilho dos olhos, na satisfação de um abraço apertado, num sorriso, na alegria de um simples “Gostamos muito de ti!”.
Ser professora não é só uma profissão, um lugar…. É viver um Amor que não precisa de ser explicado, só precisa ser sentido. É descobrir que, enquanto ensino, aprendo também e me lembro que tenho de ver o mundo com mais leveza. É perceber que, enquanto tento ser um ponto de apoio para eles, são eles que me seguram quando eu preciso. E se eu tenho precisado…
No fim das contas, a minha sala não é apenas um espaço de ensino. É um lugar de cura, de crescimento e de Amor.
E se há algo que aprendi ao longo do tempo, é que, enquanto eu estiver a ensinar, estarei, acima de tudo, a aprender que o Amor é a resposta, que a simplicidade é poderosa e que as crianças, com o seu olhar puro, são os verdadeiros mestres do que realmente importa na vida.
Um dia recordaremos o que construímos juntos, e o que sentimos estará em nós, pois não há tempo, distância ou dificuldade, que desfaça o que está no nosso coração…
O amor que ensina – Por Ana Costa
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Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico







