Liderança e Excelência – Por Rui Rodrigues

Mais artigos

Vejo, por vezes, demasiadas vezes, pessoas que fazem confusão do que é liderança com a autoridade, com protagonismo ou com a capacidade de se conseguir falar alto numa sala cheia. Não raras vezes, encontro quem ocupe cargos de chefia sem qualquer sentido de missão, sem visão além do imediato, sem cuidado pelas pessoas.

Sem propósito.

Liderar não é mandar. Liderar não é exibir títulos, nem alimentar egos. Liderar, para mim, é servir com visão, agir com ética e inspirar através do exemplo.

É por isso que hoje destaco a história da Sidónia Faustino. Porque representa o exato oposto desta banalização da liderança. Com uma serenidade rara, uma visão estratégica muito firme e com um impacto humano profundo, a Sidónia encarna, de forma absolutamente singular, o que eu entendo ser a liderança de excelência.

Sob a sua direção, a Washstation tornou-se uma referência nacional no setor das lavandarias self-service. E já são já mais de 130 unidades ativas em Portugal, fruto de uma proposta diferenciadora. Mas também, e sobretudo, fruto de uma execução consistente e de um foco inabalável na experiência do cliente. Atualmente, a Sidónia está a trabalhar o mercado brasileiro, conduzindo o processo de expansão internacional com a marca Laundrexpress.

Mas a Sidónia não para por aí.

Também no Brasil, mas em contexto totalmente distinto, assume com autoridade o papel de liderança no BNI South Brazil, uma comunidade com mais de 6 mil empresários que, através da filosofia Givers Gain, estão a mudar a forma como o mundo faz negócios, e que tem impacto real em milhares de familias e na economia. É uma facilitadora genuína do networking, da formação e do que verdadeiramente significa o empreendedorismo cooperativo.

No agronegócio familiar, na sua empresa KITSEC, em ações de empreendedorismo ou a formular programas de formação executiva, ela transita com naturalidade entre ambientes tão distintos, mas levando sempre consigo a mesma serenidade, a mesma habilidade de ler pessoas e oportunidades, a mesma constância nos resultados.

A mesma excelência.

Neste universo empresarial que ainda resiste à presença feminina nos conselhos de administração e na gestão de topo, a Sidónia não é uma exceção à regra, é a refutação viva da ideia de que liderança é território masculino. E mais do que representação simbólica, ela oferece liderança real, a que resolve, que envolve. A liderança que inspira.


Talvez o que mais aprenda com a Sidónia seja o seguinte: não basta reconhecer o talento. É preciso criar condições para ele florescer. Seja em nós, seja nos outros. E, que a verdadeira igualdade de género não se alcança com quotas impostas. Constrói-se na produção ética, sustentada e reiterada de resultados. Na coragem em elevar a liderança feminina para além do visível, para que seja ouvida, reconhecida e valorizada.

Hoje, trago este exemplo para nos inspirar. Para que celebremos uma trajetória exemplar. Mas, sobretudo, para que possamos multiplicar este modelo de liderança, em Portugal e além-fronteiras.

Porque a liderança de excelência não é exceção. É possibilidade.

E a Sidónia é uma dessas possibilidades que o nosso país precisa de ver mais vezes.

Muito mais vezes.

image_pdfimage_print
- Publicidade -spot_img
- Publicidade -spot_img

Artigos mais recentes

- Publicidade -spot_img