Confesso que a polémica que chegou ao tribunal em processo promovido por um duo musical contra a humorista Joana Marques, nunca me deu muito interesse em seguir.
Tenho na “minha colecção”, enquanto desenhador de humor, caricaturista e cartunista, processo judicial movido pela presidência da República no tempo de Eanes (1977), personagem que é muito mais importante do que qualquer “grupinho pindérico”.

E, mais recentemente (2023), os israelitas mal dispostos e matadores de palestinianos (principalmente crianças e jovens) também se indispuseram comigo por um desenho de humor que expus na Bienal de Arte de Gaia, e no qual os comparei (e cada vez comparo mais) com Hitler no “modo-assassino” que têm de actuar.

Para além disto (que já é de gabarito) tenho sido insultado por leitores que não gostam do meu trabalho, cujos insultos colecciono como medalhas.
Isto quer dizer que, relativamente a censuras do meu humor, já estou muito melhor servido do que a Joana Marques… porque aqueles que me processaram e se aborreceram comigo, têm muito mais categoria do que quaisquer “pindéricos” cantores.
Porém, hoje deparei-me com uma série de notícias sobre o final do julgamento em questão… e ao lê-las caguei-me a rir!
Parece que o grupo anda mal de massas e precisa de arrecadar um milhão de euros!… E também parece que o cofre escolhido para os arrecadar foi a conta bancária da Joana!… Devem ter pensado: “olha, vamos aqui, que isto é o da Joana!…”
Devo confessar que nunca vi a tal montagem que motivou o acne nas carinhas dos cantores e as insónias que lhes assombraram as noites. Mas também não estou interessado em ver.
Vi-os na televisão há muitos anos, ainda criancinhas, e então achei-os fofinhos e queridinhos. Mas o tempo, neles, funcionou ao contrário do que habitualmente acontece com o Vinho do Porto… piorou-os!
O que mais recentemente, e casualmente, ouvi deles na rádio, obrigava-me a desligar ou a mudar de emissora… eles não cantam… berram!… Aquilo não me parece música nem cantiga, é só gritaria que me arranha os tímpanos (estou habituado a ouvir música na Antena 2… se calhar é por isso).
Nunca os tendo ouvido, declaro que agora, com a publicidade negativa que eles próprios fizeram de si mesmos com o processo na Justiça contra uma profissional do humor, perdi irremediavelmente qualquer vontade de os ouvir.
Seja qual for o resultado do processo (e fico a torcer pela Joana por me parecer ocupar o lado mais racional e humanista da questão) jamais ouvirei aquelas coisas gritadas pela dupla que me parece tão precisada de arrecadar um milhão de euros do bolso de uma senhora.
A minha opinião de pouco valerá, mas não colocarei ponto final neste texto sem a emitir.
É assim: para que alguém se sinta ofendido ou insultado por uma mensagem humorística, tem de haver, por parte do emissor, a intenção de ofender, ou insultar, na origem. Se essa intenção não existiu, a ofensa e o insulto também não existem… estaremos, então, em presença de um incidente que foi tomado por ofensa ou insulto pelo receptor, mas que nunca esteve na intenção do emissor ofender ou insultar. Logo, se a ofensa, ou o insulto, não existe… será uma questão de susceptibilidade… e cada qual que se amanhe com a sua susceptibilidade… eu, cá por mim, amanho-me com a minha!
Ó Joana Marques, nunca falámos nem nos encontrámos… (nem ouço o teu programa porque ele não passa na Antena 2), mas toma lá o meu abraço solidário.
Jornalista/Cartunista







