Geografia Emocional

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Houve um tempo, hoje submerso em névoa, em que as consciências ainda guardavam a lucidez da sinceridade. Era uma época em que a honestidade não carecia de artifícios; bastava a si mesma.

Todavia, fomos atropelados pela voracidade deste viver febril. Sob o peso de uma indiferença que ignora os sentimentalismos mais nobres, assistimos ao naufrágio dos valores na mesquinhez dos dias. A moral e a dignidade parecem agora artigos de luxo, moedas esquecidas em bolsos rotos.

O que vemos são expressões vazias, coreografias automáticas que se desenrolam no asfalto do cotidiano. Muitos correm, desvairados, em direcção ao abismo dourado da ambição; e quando julgam ter alcançado o cume, despertam para uma ironia amarga: chegaram ao destino, mas perderam-se de si mesmos pelo caminho.

A solidariedade, outrora o cimento das relações, parece ter perecido. Há um alheamento tão profundo nos que nos cercam que o humano parece ter-se despedido do peito dos homens. O que resta são estas mentes moribundas, desprovidas de afecto — talvez o resultado de trágicos desvios geográficos nos mapas internos da nossa própria alma.

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