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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026

06. Dez Dias de Esperança

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Passaram dez dias desde a minha primeira sessão de quimioterapia. E sabem que mais? As coisas já começam a ficar melhores.

O regresso à normalidade
Já não estou enjoado, o que é muito bom. Mantenho o paladar, que é ótimo. A única coisa que está a piorar é a pele, está a ficar mais danificada, mais vermelha. Mas tenho posto uma pomada diariamente, cedida pelo IPO, que ajuda bastante. Isto acompanhado de uma medicação que ando a tomar para as aftas na boca, que tem feito milagres.
Ou seja, as coisas começam a ir à normalidade. Já não há aquele desconforto como no início, quando ficamos logo com aquela sensação estranha dentro de nós, sentimo-nos enjoados, sentimo-nos cansados, isso ainda sinto – canso-me com muito mais facilidade. Mas depois habituamo-nos a este ritmo. É uma questão de adaptação e de compreender que este é o meu novo normal, pelo menos por enquanto.

Os cuidados necessários
Claro que temos de ter aqueles cuidados com o cateter: para não sair do sítio, fazer movimentos lentos, não fazer esforços. Estes cuidados todos, não é? enquanto andar nesta luta. São pequenas coisas que protegem a nossa saúde e que fazem toda a diferença no tratamento.
Mas de resto, as coisas já estão a ir à normalidade, dentro dos parâmetros dos tratamentos, o que é muito bom. Na sexta-feira já tenho outra sessão marcada, e está tudo bem. Cada dia que passa é uma vitória, cada sessão concluída é um passo em frente.

O apoio que nos sustenta
Mas há algo que é verdadeiramente fundamental nesta caminhada e que não posso deixar de mencionar: o apoio da minha família e dos meus amigos. Sem eles, isto seria muito mais difícil. Muito, muito mais difícil.
A verdade é que quando entras nesta luta, percebes que não estás sozinho. A família está ali, dia após dia, oferecendo uma palavra de conforto, ajudando nos pequenos gestos do dia a dia. Os amigos enviam mensagens, ligam, mostram que se preocupam. Isso tem um valor que é impossível de medir. Quando o corpo nos falha, quando a esperança oscila, é o carinho e a presença deles que nos mantém de pé.
Não é apenas a medicina que no cura. É também este amor, este apoio incondicional que nos envolve. São aqueles que nos trazem comida quando não temos força para cozinhar, que nos acompanham às consultas, que simplesmente se sentam ao nosso lado em silêncio porque entendem que às vezes as palavras não são necessárias. São eles que nos lembram que somos mais do que a doença, que somos pessoas dignas de amor e de cuidado.
Esta rede de afeto é tão importante quanto qualquer medicação. É o que nos faz sentir humanos, é o que nos dá força para continuar. E estou profundamente grato por tê-la.

Seguir em frente
É esta a nossa luta. É isto. Vamos em frente, um dia de cada vez, com coragem e determinação. Com a família e os amigos ao nosso lado, somos mais fortes. Porque desistir não é opção. Nem hoje, nem nunca. Porque a vida vale a pena ser vivida, mesmo que em doses pequenas, mesmo que um dia de cada vez.

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