Aeronaves do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD) vão chegar à Gronelândia “em breve” para participar em “atividades há muito planeadas” no território autónomo dinamarquês, anunciou esta segunda-feira esta força conjunta dos EUA e Canadá.
As aeronaves militares “vão apoiar uma variedade de atividades planeadas há muito tempo”, frisou, numa nota na rede social X, o comando que desempenha um papel estratégico na deteção de intrusões aéreas.
Estas atividades vão decorrer num momento em que Donald Trump insiste que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca (membro da NATO), considerando que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos norte-americanas seria inaceitável.
O comando especificou que esta atividade foi coordenada com a Dinamarca e que as autoridades gronelandesas também foram informadas.
“O NORAD realiza rotineiramente operações sustentadas e dispersas na defesa da América do Norte, através de uma ou de todas as três regiões do NORAD (Alasca, Canadá e Estados Unidos continentais)”, pode ler-se.
O NORAD não adiantou à agência France-Presse (AFP) detalhes sobre o número de aeronaves envolvidas ou a natureza das missões planeadas.
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
Trump ameaçou recentemente impor tarifas de 10% sobre as importações de oito países europeus, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, a partir de 1 de fevereiro devido ao apoio à Dinamarca, contrariando as suas ambições na Gronelândia, o que já teve impacto nas principais bolsas europeias.
As tarifas, que afetam alguns dos principais aliados de Washington na NATO, serão aumentadas para 25% a partir de 1 de junho até que se chegue a um acordo para o controlo completo total da Gronelândia.
A União Europeia (UE) continua a defender o diálogo face às ameaças, avisando porém que está “pronta para reagir” e dispõe de instrumentos para o fazer.
As ameaças não alteram a posição do território, que se mantém fiel ao direito à autodeterminação e à soberania, tem insistido o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen.
Os líderes europeus reúnem-se na noite de quinta-feira numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as repetidas ameaças de Trump relativamente à Gronelândia e à imposição de tarifas.
OC/MP
Jornalista free-lancer







