A Associação de Socorros Mútuos Setubalense (ASMS) assinalou 137 anos de existência com uma sessão solene marcada por palavras de reconhecimento e apelos a mais investimento no setor social e na saúde pública. Na cerimónia, realizada na sede da instituição, o presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, enalteceu o papel da associação, considerando-a “um farol de humanidade, competência e compromisso com o bem comum”.

“Setúbal é uma terra solidária, e essa identidade constrói-se com o trabalho de instituições como a vossa”, afirmou o autarca, parabenizando a ASMS pelos seus 137 anos de serviço à comunidade.
Durante a cerimónia, André Martins defendeu a valorização das respostas sociais mutualistas e criticou a degradação do Serviço Nacional de Saúde, alertando para os recentes encerramentos de urgências de obstetrícia em Setúbal, Almada e Barreiro. “Uma área com mais de 800 mil pessoas ficou sem apoio médico urgente. É inaceitável que não se encontre uma solução estrutural para este problema”, afirmou, exigindo ao Governo que evite o encerramento definitivo das urgências do Hospital de São Bernardo.
Um legado de solidariedade
A ASMS, fundada em 1887, mantém viva a tradição mutualista, oferecendo atualmente cuidados médicos acessíveis através do seu centro clínico e respostas sociais direcionadas à população sénior. Com cerca de 2.500 associados, a instituição presta serviços de saúde a cerca de 3.000 utentes por ano, realiza mais de 15 mil atos de fisioterapia e apoia 85 idosos no centro de dia e no serviço de apoio domiciliário.
O presidente da associação, Fernando Paulino, defendeu que a ASMS é “um fator de coesão social da mais elevada importância” e apelou ao apoio da autarquia para o crescimento da instituição:
“Sentimos que a nossa vontade de crescer é maior do que o nosso espaço físico. Precisamos de ampliar e melhorar os nossos serviços para responder melhor às necessidades da comunidade”.

Paulino reforçou ainda a vontade de manter a ligação histórica à baixa de Setúbal, mas reconheceu a necessidade de alargar os horizontes da instituição, sempre com os valores da solidariedade e da dignidade humana.
O papel das instituições de proximidade
O bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, também marcou presença na sessão e destacou a importância da rede de instituições sociais no país:
“Portugal não seria o que é sem esta teia de pequenas instituições, feitas por gente que, com martírio ou loucura, continua a tomar as rédeas destas nobres causas”, afirmou, elogiando o espírito de missão das associações mutualistas, misericórdias e IPSS.
A cerimónia terminou com a oferta simbólica de uma imagem de José Afonso por parte da Câmara Municipal à associação, como forma de homenagear a resistência e o espírito comunitário da ASMS.
OC/RPC







