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Sábado, Dezembro 6, 2025

“A amizade não se esgota: nem na vida nem no papel” – afirmou Joaquim Jorge na apresentação do seu novo livro.

Joaquim Jorge lançou o livro "Amizade – Conhecidos e Menos Conhecidos" numa sessão pública, em Vila Nova de Gaia, com apresentação de Ana Cavalieri. A noite foi marcada por testemunhos pessoais e intervenções filosóficas sobre o valor da amizade como vínculo humano e social.

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A sala do Hotel Holiday Inn Porto – Gaia, na passada sexta -feira, estava repleta, para  o lançamento do mais recente livro de Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores. O evento contou com a apresentação da jurista e comentadora de política internacional, Ana Cavalieri e reuniu amigos de longa data, conhecidos de diferentes esferas, familiares, bem como diversos ilustres.

O tom da sessão foi traçado logo na abertura, com palavras de Joaquim Jorge que explicaram, sem rodeios, a motivação da sua obra:

“Eu escrevi este livro porque acho que se deve expressar emoções positivas e o que se sente pelos outros em vida, e não quando se morre. Há o hábito, que eu até considero português, de falar bem dos outros quando eles já estão deitados e já não podem retorquir. E, portanto, eu resolvi, numa fase final da minha vida, fazer um pequeno livro, com os amigos, e dizer o que sinto por eles. A amizade é algo que nos massaja a alma. Eu adoro estar com as pessoas de quem gosto, e isso dá-me prazer.”

Apresentação do livro "Amizade". Clube dos Pensadores.
Joaquim Jorge explica sem rodeios o teor da sua obra. Foto de FILIPE ARRAIS.

A obra resulta de uma seleção pessoal de nomes e memórias. Joaquim Jorge frisou que a ordem alfabética usada no livro teve uma razão pragmática:

“Pus por ordem alfabética para que não digam que falo primeiro do Marcelo ou do Montenegro. Quem não está no livro e se sentir magoado, por favor, telefone-me. Falamos e posso escrever. Este livro é o primeiro. A editora disse que podia fazer um segundo. Se quiserem fazer parte, estejam à vontade…”

A apresentação ficou a cargo de Ana Cavalieri, que não se limitou a apresentar o autor ou a obra. “Este é um livro diferente. E, portanto, também me propus fazer uma apresentação diferente. Muitas vezes falamos aqui de temas políticos, de temas de cidadania, mas hoje falamos de algo que é mais íntimo, que é mais pessoal, que, no fundo, é também o que nos une como seres humanos – a amizade. É disso que trata este livro.”

Ana Cavalieri
Ana Cavalieri apresentou a amizade em quatro dimensões: intencionalidade, sentido, paciência e transcendência. Foto de FILIPE ARRAIS.

A comentadora foi mais longe e explanou uma leitura da amizade enquanto conceito e experiência, estruturando a sua intervenção em quatro dimensões: intencionalidade, sentido, paciência e transcendência.

“A amizade exige intenção. Não é o acaso que nos faz manter os laços. Investimos tempo, escuta, atenção, até fragilidade. Quem lê este livro percebe que as relações que aqui estão não são acidentais.”

A oradora introduziu referências ao Principezinho, de Saint-Exupéry: “A raposa disse ao Principezinho: ‘Cativar é criar laços’. É disso que trata este livro.” Mais adiante, Ana Cavalieri articulou a importância do tema com a tradição filosófica:Na Ética, Aristóteles pergunta a Nicómaco : como viver bem? A resposta está na virtude, mas a virtude vive-se com os outros. Precisamos de amigos que nos inspirem, que nos façam melhores.”

A segunda dimensão referida foi o sentido da vida: “A amizade não é apenas companhia. É ela que dá sentido. Não são os bens, a carreira, o sucesso. No fim da vida, são os afetos que importam. As pessoas com quem nos cruzámos verdadeiramente.”

Cavalieri lembrou que a própria palavra “amizade” é usada em múltiplos contextos, inclusive na política internacional, a sua área de eleição: “Falamos da amizade entre países. E quando sentimos que uma nação aliada nos falha, o sentimento é semelhante ao que sentimos quando um amigo pessoal se afasta.”

Seguiu-se a reflexão sobre a paciência e persistência nas relações. Aqui, a oradora falou do tempo, da ausência, da distância:  “Há amizades que sobrevivem à ausência de contato. Passam anos. E quando se reencontram, reatam como se nada tivesse passado. Isto só acontece quando houve verdade.”

Finalmente, abordou a transcendência: “As amizades ultrapassam o espaço e o tempo. São vínculos que resistem. Mesmo sem mensagens, mesmo sem telefonemas. Continuam lá.”

Após a intervenção de Ana Cavalieri, o autor retomou a palavra para falar sobre os amigos, ressalvando mais uma vez, que não se esgotam nesta obra: Alguns destes amigos estão presentes. Outros não puderam. Outros estão representados. E muitos outros ficaram de fora – mas haverá mais livros. Isto não acaba aqui.”

Seguiram-se vários momentos de discurso direto. Um dos mais marcantes foi o testemunho de Pedro Miguel, o filho do autor que, com naturalidade, pegou no microfone e disse: “Isto é mais um livro do meu pai. E cada vez mais me orgulho dele. Porque o meu pai é uma pessoa que pensa fora da caixa. E eu admiro isso. Tenho grandes discussões com ele – no bom sentido – mas isso é o que nos deve enriquecer. Ter visões diferentes. Ele podia ter sido muito mais, porque tem cabeça para muito mais. Mas viveu como quis. E isso também é um ato de liberdade.” A sala escutou com atenção quando acrescentou: “Dá-se com os meus amigos. Fala com eles. Tem a idade que tem e continua a surpreender. Isso é raro. Eu admiro isso. Por isso, parabéns pai.”

Apresentação do livro "Amizade". Clube dos Pensadores.
Pedro Miguel o filho que é um admirador do seu pai, por ser um pai diferente dos outros. Foto de FILIPE ARRAIS.

Outro momento foi a leitura da mensagem de Luís Montenegro, que recordou o percurso partilhado com Joaquim Jorge ao longo de vinte anos, desde as conversas no Clube dos Pensadores até aos programas na Rádio Costa Verde:

“Não me sendo possível assistir presencialmente, quero, contudo, enviar um testemunho singelo do valor da amizade assente no respeito, na capacidade de discutir ideias e lealdade de assumir as diferenças.  Numa palavra, amizade com liberdade. Sem amarras ideológicas, sem interesses paralelos ou escondidos, sem ‘paninhos quentes’ . É essa a experiência que guardo desde cerca de 20 anos de convivência, das conversas  no Clube dos Pensadores, mas também dos programas da Rádio Costa Verde, das futeboladas ou das curtas,  mas sempre muito diretas, trocas de mensagens.

O político destacou que os amigos não precisam de falar muitas vezes:

“Precisam de falar no momento certo e dos temas importantes. Importantes para a pessoa, não para a circunstância ou função que ocupam.” E terminou desejando que tudo corresse bem, como não poderia deixar de ser.

Entre os nomes mencionados na obra, o autor destacou, com frases breves e concretas:

“O Mário Russo, que sempre percebeu o que eu fazia no Clube. O Joaquim Massena, um  ativista de causas e de cidadania. O Marcelo Rebelo de Sousa, desde a primeira vez que passou no Clube ficou fã deste conceito de liberdade, expressão e pluralidade. O Luís Montenegro, que trato por tu, amigo de longa data, dos primórdios do Clube. O Batata, pelas belas noites quando eu saía à noite. Às vezes ia ao Twins, ia sozinho, porque a minha mulher é assim! E eu ficava a falar com ele, toda a noite. Era o ambiente, é uma pessoa que eu gosto!  O Augusto Pinto, meu amigo de infância, afável e sempre por perto. O Fausto, médico, o que representa e é para mim. O João Claro, por gostar de carros e motas como eu e ser boa pessoa. O Pedro Vasconcelos, amigo das caminhadas e não só.”

Sobre os amigos menos conhecidos:

“A Sara, pela maneira peculiar de ser. A Maria João, pela insistência em manter a amizade, apesar das dificuldades. O Pedro Santos, pela sua sensibilidade e amizade. O Pedro Arcanjo que foi meu aluno e a nossa amizade manteve-se ao longo destes anos. A Ermelinda, porque a sua farmácia  e ela são um porto de abrigo para a minha saúde. A Ana Trancoso, desde sempre amiga. O Alberto Paiva amigo recente, mas para sempre. O Manuel Coelho, pela ajuda na minha candidatura (à Câmara de Matosinhos) que eu não me esqueço. O Joca, pela sua alegria de viver.”

Também não se esqueceu da sua esposa:

“E a Carolina. A minha mulher. Sempre comigo! Sempre me deu bons conselhos!”

O autor lamentou mais uma vez, que teve de tomar decisões difíceis para limitar a lista:

“Escolher é ganhar por um lado e perder por outro. Mas foi necessário. Haverá outros volumes.” A parte da sessão de apresentação foi encerrada com uma fotografia com os presentes mencionados na obra. Houve tempo para uma troca de palavras, cumprimentos e aplausos. Joaquim Jorge repetiu a sua intenção de continuar:

“A amizade não se esgota. Nem na vida! Nem no papel!”

Ainda houve tempo para discutir politica internacional com Ana Cavalieri, um brinde com espumante, uma sessão de autógrafos e fotografias dos autografados com Joaquim Jorge e Ana Cavalieri.

OC/RPC/FA

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