Foi dado o primeiro passo para que Albufeira se torne oficialmente um Destino Turístico Sustentável. A apresentação pública do processo de certificação decorreu no passado dia 11 de abril, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, perante empresários, jornalistas e representantes de várias entidades. A certificação será feita com a assessoria do IPDT – Consultoria em Turismo, ao abrigo da EarthCheck Destination Standard, uma das normas internacionais mais exigentes nesta área.
O processo será dividido em duas fases: a de benchmarking, na qual se pretende obter o selo Bronze, e a fase de certificação, com o objetivo de alcançar o selo Prata. A partir daí, e mediante um esforço contínuo de melhoria, Albufeira poderá candidatar-se sucessivamente aos selos Ouro, Platina e Master, atribuídos de cinco em cinco anos e que poderão ser utilizados como vantagem competitiva pelos operadores turísticos locais.
O primeiro ano do processo será dedicado à auditoria do destino e à elaboração do Plano de Ação para a Sustentabilidade, que abrangerá áreas como a eficiência energética, gestão de água e resíduos, emissões de gases com efeito de estufa, qualidade do ar, poluição sonora e luminosa, proteção dos ecossistemas, planeamento territorial, mobilidade, entre outras.
Para Jorge Costa, presidente do IPDT, este plano será “uma ferramenta para um desenvolvimento transversal com resultados positivos e concretos para a população”, apelando à mobilização de toda a comunidade em torno da certificação. João Gomes, diretor executivo da entidade, destacou que esta será também uma forma de combater o fenómeno do greenwashing, alinhar o destino com as novas exigências da regulação europeia e responder à procura de consumidores mais conscientes, “melhorando a condição de vida dos residentes”.
A coordenação da Organização de Marketing do Destino (DMO) ficará a cargo da Divisão de Turismo do Município, em articulação com o Conselho Consultivo, um Grupo Interno de técnicos municipais e a “Green Team”, que integra ainda representantes de associações como a AHETA, AHRESP e APAL.
O presidente da Câmara Municipal, José Carlos Rolo, sublinhou que o município “desde há vários anos que tem vindo a trabalhar na certificação de diversos serviços”, revelando que “as maiores dificuldades têm sido na área das Obras Particulares”. No entanto, frisou que este novo processo de certificação é mais do que um objetivo técnico: “Não é o fim que me move. O desafio que vejo neste processo é o de toda uma reflexão que se levanta e que convoca toda a comunidade a dar o seu contributo, numa abordagem colaborativa”.
José Carlos Rolo garantiu ainda que haverá uma auscultação alargada, envolvendo empresários, cidadãos e outras entidades, porque “isso é que é importante, o contributo de várias pessoas, com pontos de vista distintos”. O autarca concluiu com a nota de que, após a certificação, será fundamental manter o foco e o trabalho contínuo: “Depois da certificação terá que haver uma reavaliação, para que não haja a possibilidade de distração e se trabalhe para manter o destino atrativo e sustentável”.
Ao longo do processo, que inclui ações calendarizadas, serão recolhidos dados quantitativos e qualitativos, realizadas auditorias e avaliações, e lançado um microwebsite dedicado ao acompanhamento da certificação. Com este projeto, Albufeira posiciona-se como referência nacional na transição para um modelo de turismo mais responsável, resiliente e centrado nas pessoas.
OC/JJS







