Dizem que estamos a destruir o planeta. Mas o planeta já sobreviveu a dinossauros, glaciações e meteoros. A pergunta certa é: estamos a destruir a Terra, ou a nós próprios?
Nos últimos dois séculos, a população mundial explodiu. Passámos de 1 bilião de pessoas em 1800 para mais de 8,2 biliões em 2024. Mas não foi só o número que cresceu – foi também o apetite. Queremos mais roupa, mais gadgets, mais carros, mais viagens… tudo em excesso. Produzimos mais do que usamos e descartamos ainda mais depressa. Já vivemos a crédito ambiental – e os juros não são simpáticos.
A pandemia mostrou-nos uma coisa de forma brutal: bastaram algumas semanas de confinamento para vermos águas mais claras, animais a regressar às cidades e emissões a cair. A Terra não precisa de muito para se recompor. A dúvida é: nós conseguimos mudar com a mesma rapidez?
Na escala do planeta, somos um piscar de olhos: a Terra tem 4,5 mil milhões de anos; nós, humanos modernos, uns 200 mil. E este estilo de vida acelerado, descartável e consumista… uns 50! Meio século em que nos habituámos a trocar de telemóvel sem explorar metade do anterior, ou a comprar sapatilhas iguais em três cores — apenas porque sim. Já produzimos tanto plástico que, se derretermos tudo, talvez consigamos cobrir Marte de Tupperwares.
E então surge a pergunta inevitável: vamos mudar por vontade própria ou vamos ser forçados a isso? Será preciso uma nova pandemia? Uma guerra global? Uma crise energética? Ou será que conseguimos, finalmente, repensar os nossos hábitos antes que a realidade nos obrigue?
E aqui entra a indústria, porque ela é o espelho das nossas escolhas. Cada produto que pedimos é mais uma linha de produção que arranca, mais recursos que se gastam, mais energia que se consome. Se o consumo não vai parar — e sejamos honestos, não vai — então a única saída é produzir melhor. Com menos desperdício, mais eficiência, mais inteligência.
É neste ponto que acredito que a automação e a robótica podem ser parte da solução. Não apenas para dar competitividade às empresas, mas também para reduzir impactos. Libertam pessoas de tarefas repetitivas e pouco valorizadas, para que possam dedicar-se ao que só os humanos sabem fazer: pensar, criar, decidir.
É também aqui que sinto que posso contribuir. Sei que não posso mudar sozinho os hábitos de consumo do mundo, mas posso ajudar a indústria portuguesa a modernizar-se e a usar melhor os recursos. Fazer mais com menos. Tornar o progresso não só económico, mas também humano e válido para o planeta. E isso, pelo menos, dá-me algum consolo.
A Terra vai continuar a girar. Com ou sem nós. A questão é simples: queremos fazer parte da próxima volta?
Empresário – Automação e Robótica














