A Rainha do Petróleo

Mais artigos

Na linda cidade de Lamego, uma jovem, muita bela, passeava-se pela cidade. Os seus longos cabelos pretos esvoaçavam nessa donzela morenaça.

Os olhares dos militares eram provocadores. Uns simplesmente olhavam, outros mandavam uns “piropos”.

Militares e civis ninguém ficava indiferente. Tudo condizia nas suas roupas. Se ela ia de azul, tudo condizia nesses tons, quer ela um dia andasse de saias ou calças. Estas podiam ser mais escuras, mas eram de azul, a blusa tinha uma outra variante de azul, o lencinho claro que tinha ou um azul marinho ou turquesa.

Se a cor mudava tudo voltava a condizer. Os amantes de futebol, nos primeiros dias, pensavam ter ali uma fortíssima adepta, num dia andava de verde noutro de vermelho. Ela vestia-se aprimoradamente.

Admiradores haveria quiçá às dezenas. Não se conheciam os candidatos a tão desejada mulher. Sendo tão dotada a jovem dava mesmo nas vistas.

Ao tempo, em volta ao monumento “homenagem ao soldado desconhecido”, havia uma rotunda. Alguns transeuntes desse grupo chamavam-lhe “Xico do Pinto”, nunca soube porquê, mas tenho essa recordação.

De quando em vez ela deambulava, mesmo que o fizesse com alguma descrição, tal não era possível, pois a sua beleza e a forma como se vestia não permitia indiferenças.

Havia nos anos oitenta do século passado um café ali bem perto, à direita de quem sobe a avenida 5 de outubro onde graúdos, maduros e seniores se juntavam e discutiam, também ao café, a situação política da altura. Havia um grupinho que caprichava pela permanência.

Havia resiliência nesse grupo que congregava advogados, comerciantes, empresários, militares e cidadãos interessados por política. Discutia-se de tudo, qual tertúlia.

De quando em vez também havia umas picardias políticas pois o grupo não era monolítico.

A crítica social era passada em revista por esse grupo que andava sempre bem informado e alguns até faziam questão na coscuvilhice encapotada.

Algumas esposas dos convivas que pontualmente participavam, eram delicadas, passavam as notícias aos maridos e eram estes que iniciavam as conversas. As senhoras eram simpáticas, algumas pareciam autênticas diplomatas, umas davam mais nas vistas, outras mais recatadas, mas não menos informadas, por regra até sabiam das “notícias” primeiro, esboçavam uns sorrisos e proporcionavam um bom convívio.

As senhoras trouxeram a notícia a jovem era oriunda do concelho de S. João da Pesqueira.

Vários militares eram putativos candidatos a tanta beleza.

Os maduros e seniores puseram-se em campo, uns telefonaram para amigos que tinham na Pesqueira, outros até lá foram, percorreram várias aldeias, aproveitaram para comprar “vinho fino”, primeiro em Ervedosa do Douro, depois na vila, foram a Trevões, pararam para petiscar nalgumas tabernas e nas indagações dos seus conhecimentos que tinham pela região, não lhe era conhecida nenhuma quinta no Douro.

Outros interrogavam-se o quê que essa mulher tem?

Uns pensavam no vinho generoso, o vinho fino, o tal que chegado às caves de Gaia se torna mundialmente conhecido como o Vinho do Porto.

Ficou conhecida nesse grupo de café, entre graúdos, maduros e seniores como a “Rainha do Petróleo”.

Afinal a jovem encantadora era apenas dona da sua beleza.

Para gáudio de muitos era um prazer olhar para ela.

Quando ela entrava no café os olhares cruzavam-se entre muitos. Algumas senhoras importunavam-se “vê lá para onde olhas”, outras diziam-se seguras dos seus maridos.

image_pdfimage_print
- Publicidade -spot_img
- Publicidade -spot_img

Artigos mais recentes

- Publicidade -spot_img