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Sábado, Dezembro 6, 2025

A importância do Humor nas nossas miseráveis vidas… – Por Onofre Varela

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Há duas frases – entre dezenas delas sobre a importância do humor – que vou usar para início deste texto. Uma serviu de título para notícia sobre Saúde publicada no jornal espanhol “El País” há um quarto de século (em Novembro de 2000) e diz que “o riso protege o coração”, sublinhando: “um estudo indica que as pessoas com doença cardíaca se riem menos, e sugere que o humor previne o enfarte do miocárdio”. Provavelmente os médicos adoptarão (se acaso ainda não adoptaram) este discurso preventivo de doenças cardíacas: “Faça exercício, coma bem e ria-se várias vezes por dia”.

O estudo referido foi realizado por cardiologistas do hospital da Universidade de Maryland, em Baltimore (EUA) e refere uma frase antiga dita pelos avós de passadas gerações: “O riso é a melhor medicina”. A capacidade de rir pode influenciar a saúde de modo muito importante em sociedades desenvolvidas, onde a doença cardíaca é a principal causa de morte.

Michael Miller, que então era o director do hospital da Universidade de Maryland, acrescentou o seu discurso em favor do riso, dizendo: “Sabemos que fazer exercício físico, não fumar e ingerir alimentos com baixo teor de gorduras saturadas, reduz o risco de se contrair doenças cardíacas. Talvez devêssemos acrescentar à lista o hábito de rirmos frequentemente e de maneira franca”.

Para além dos médicos, cônscios do valor do riso na manutenção e melhoria da saúde, outros profissionais de actividades com peso nas sociedades esclarecidas, como escritores e filósofos, também sugerem o riso como uma das melhores receitas para a prevenção de doenças e, quiçá, para ajudar à longevidade.


É o caso de Jean-Claude Carrière, escritor e guionista francês (falecido em 2021 com 90 anos de idade), mundialmente conhecido pela sua colaboração com Luís Buñuel e por, de entre os vários livros de que é autor, ter escrito um com conversas mantidas com o Dalai Lama.

É dele a segunda frase anunciada no início deste texto, e que diz assim: “A única maneira de sobreviver ao poder, é rir”. Dizia Buñuel que um dia sem rir é um dia perdido… e defendia o “riso subversivo”, que é “rir-se contra algo”. De certo modo, é este “riso subversivo” que é utilizado pelos cartunistas, pelos actores de “Stand up Comedy” e pelos autores do Teatro de Revista, na apreciação bem humorada de atitudes políticas que só provocam tristeza e choro quando são entendidas, apenas, pela nódoa vivencial que representam.

O papel do humor é usar a ironia como elemento de luta contra o poder, juntando-lhe, também, o absurdo.

Dizia Jean-Claude Carrière que “historicamente o humor tem servido para combater os bispos e os militares” e que “rir é uma actividade gratuita, saudável para o corpo e para a alma e não requer educação específica. Todo o mundo pode praticá-lo”. Para ele as histórias “com moral” eram demasiadamente básicas e sem profundidade. Por isso preferia as histórias filosóficas… “mas sem filósofo… populares, cândidas e ambíguas”.

Já que estou em maré de citações de frases em favor do humor, tomem lá mais esta:

«Se o homem não compreende a graça, está perdido! Deixa de ser verdadeiramente inteligente, mesmo que tenha todos os talentos». Estas palavras são do grande escritor e médico russo Anton Tchekov e frequentemente citadas como prova de que o sentido de humor é um elemento importante da inteligência.

Quando alguns políticos e religiosos (principalmente estes… de entre outras castas de “gentinha”) se insurgem contra considerações bem humoradas sobre os seus actos cometidos em sociedade, estão a sublinhar a imensa falta que têm da inteligência referida por Tchekhov.

Uma das principais funções do humor consiste em garantir-nos a estabilidade psicológica nas situações difíceis. É isto mesmo que se observa hoje com a difusão de tantas piadas nas redes sociais referindo a actuação política do perigoso, patético, piadético, bobo, ignorante, estulto, estúpido, fátuo, idiota, imbecil, inepto, lerdo, néscio, palerma, parvo e tolo… também reconhecido pelo nome aproximado a um desenho animado de Walt Disney, com que o baptisaram: Donald Trump… e que, por desgraça, colocaram à frente da governação da maior potência do mundo, para cuja função o eleito usa um minúsculo resquício de massa cinzenta mal amanhada, que foi o que lhe calhou no refugo da sorte do seu nascimento, nivelando-o pelo pensamento mais irracional e narcísico de líderes tribais mais rascas e fatelas, oriundos de países da profunda África mais selvagem, ou de perdidas ilhas polinésias para lá do cu do mundo!




Cartune de Onofre Varela. 2024.

Para que um caricaturista, cartunista ou sátiro das personalidades públicas, consiga desempenhar o seu papel de crítico social, ele tem de saber apreciar correctamente os acontecimentos… mas, logo a seguir, terá de se desligar deles ou procurar um ponto de observação suficientemente distanciado para não ser maleficamente atingido pelos actos que lhe vão merecer a crítica que escreve ou desenha.

É sabido que em todas as épocas e em todo o mundo, o humor é perseguido e condenado por ditadores, sejam políticos ou religiosos. Política e Religião são duas actividades humanas muito praticadas por ditadores convencidos de que representam a razão e a verdade, que só eles têm direito à palavra e à acção e que, por isso mesmo, encarceram e assassinam quem não diz amém consigo.

Ainda hoje assim é neste nosso mundo contemporâneo, comandado por sociedades que se afirmam tão avançadas no conhecimento e na técnica, mas que, eticamente, se apresentam tão atrasadas na prática da Humanidade que deveriam ter mas nunca têm!

O nosso riso e a nossa gargalhada são as nossas armas perante essa enorme colecção de idiotas e imbecis.







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