A bagagem do emigrante é a esperança – Por Rosa Fonseca

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Emigrar nunca foi um mar de rosas, mas é, certamente, um caminho de esperança, integração e transformação.

As migrações são hoje, mais do que ontem, um fenómeno global.
São muitas as razões que nos levam a sair do nosso país, a sermos emigrantes do outro lado da fronteira. Quantas vezes temos que fechar a porta, ainda que lentamente, e com ela trancar os sonhos. Tantas! Mudamos de rumo e endereço; enchemos a bagagem de memórias e despedidas, histórias e anseios e partimos.

Partir com esperança, coragem e, quase sempre, com sacrifício; uma dor que atravessa quem parte e quem fica.

Neste atravessar fronteiras, além da busca de mais oportunidades é a procura incessante de um lugar onde se possa ser livre e respeitado nos seus direitos. Concretizar sonhos vedados.

Deixar o país de origem, significa enfrentar barreiras intransponíveis que podem afetar seriamente as suas vidas. Uma das maiores provocações pode ser a saudade e o sentimento de perda. Largar os familiares, amigos e raízes, provoca uma dor silenciosa. Ver-se sozinho num país que tantas vezes o olha de lado e o torna “pessoa não grata“, o isolamento e as dificuldades com a língua, as diferenças culturais e sociais que vão dificultar a comunicação e a integração, não abonam a um início de vida justo e pretendido – diria, sonhado.

É preciso abrir horizontes e reconhecer que a emigração também é uma ponte que une culturas, e enriquece os países de acolhimento; a diversidade cria novas perspetivas e desenvolvimento pessoal, social e afetivo.

Num mundo global e em constante mutação a emigração é inegavelmente uma história de amor pela vida e a procura por um amanhã melhor.

O sonho do emigrante é construir uma nova vida, sentir-se parte de uma comunidade contribuir para a mesma. O respeito mútuo é a base do processo de troca; enriquece-nos e ajuda a criar uma identidade plural e acolhedora, onde todos encontrarão o seu próprio espaço de partilha. Só assim é possível construir uma comunidade que seja inclusiva e diversificada, onde o sentimento de pertença possa andar de mãos dadas.

Emigrar nunca foi um mar de rosas, mas é certamente, um caminho de esperança, integração e transformação.

As dificuldades serão muitas até chegarmos a uma coexistência saudável e profícua. Não podemos virar a cara aos enormes obstáculos que os emigrantes enfrentam: económicos, condições de trabalho precárias ou até exploração. Mas o aspeto mais sombreado e preocupante, na minha opinião, é a sua vulnerabilidade face ao desconhecimento dos seus direitos ou quando há discriminação por origem, cor ou religião; dificuldade de acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, especialmente para aqueles que chegam sem recursos ou documentação adequada.

Na maior parte das vezes, lá se vai o sonho de uma vida melhor e o dia a dia é uma luta insuperável.

O que, não raras vezes acontece, é o emigrante perder-se num turbilhão de acontecimentos que fogem ao seu controle e desenvolver um sentimento de alienação e até perda de identidade.

Vemos frequentemente pelas ruas das cidades pessoas que deambulam sem rumo, açoitados por uma vida que os fez perder a dignidade, os sonhos e a esperança, aumentando o caudal dos desafortunados.

Neste fluxo migratório é preciso estar atento e identificar os desafios e dificuldades por forma a compreendermos a complexidade das suas experiências e histórias neste contexto. É crucial que a sociedade esteja atenta e ofereça apoio, respeito e solidariedade a todos que buscam uma nova vida melhor em terras estrangeiras.


Um país, antes de tudo, tem que proporcionar uma vida condigna aos seus, para que possa respeitar e abrir portas aos que o procuram.

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