O circuito de Balaton Park foi o palco de uma das páginas mais douradas do motociclismo moderno. Menos de um mês após ter sido submetido a cirurgias ao ombro e ao pé, Marc Márquez (Ducati Lenovo Team) assinou uma exibição de gala no Grande Prémio da Hungria, conquistando a sua 100.ª vitória na carreira (contabilizando todas as categorias do Mundial). O triunfo ganha contornos ainda mais especiais por coincidir também com a centésima vitória da própria Ducati na categoria rainha.
Márquez, que já tinha vencido a corrida Sprint do último sábado a partir da pole position, completou o pleno no domingo após um duelo intenso com o jovem prodígio Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory Racing).

O caos da curva 1
A corrida ficou marcada logo nos metros iniciais por um autêntico “efeito dominó” que alterou por completo a face do Grande Prémio. À entrada da curva 1, Jorge Martín perdeu o controlo da sua Aprilia sob forte travagem, colhendo o líder do campeonato, Marco Bezzecchi.
O incidente acabou por arrastar também Fermín Aldeguer (Gresini Racing), Raúl Fernández (Trackhouse Racing) e Fabio Di Giannantonio (VR46 Racing). Dos cinco pilotos envolvidos, apenas Di Giannantonio conseguiu retomar a corrida, terminando num distante 12.º lugar. Apesar da violência do impacto, os exames médicos confirmaram a ausência de fraturas nos atletas. Pelo erro, Martín foi penalizado com uma dupla Long Lap para o próximo Grande Prémio.
O duelo e a consagração
Com os principais rivais fora de jogo, Márquez e Acosta isolaram-se de imediato na frente da corrida. Acosta, munido de um pneu traseiro de composto macio (contra o composto médio escolhido por Márquez), atacou cedo e assumiu a liderança na terceira volta.
O equilíbrio manteve-se até metade da distância regulamentar, altura em que o pneu de Márquez começou a ditar as regras. Após várias tentativas de ultrapassagem mútua, o hexacampeão mundial de MotoGP garantiu em definitivo o comando na volta 14, cruzando a linha de meta com uma vantagem confortável de 1,3 segundos sobre o compatriota da KTM.
“Estou super feliz. É uma vitória muito especial porque, depois do ano passado, tudo mudou“, afirmou um emocionado Marc Márquez no final. “Mas o desporto é mesmo assim. De um dia para o outro, tudo pode mudar. Aprendi isso em 2020, acrescentou.“
O pódio ficou completo com Francesco “Pecco” Bagnaia (Ducati Lenovo Team), que beneficiou do caos inicial para subir a terceiro logo na primeira volta, mas nunca demonstrou ritmo para acompanhar o duo da frente, terminando a mais de 11 segundos do vencedor.
Importa ainda registar uma nota para a Honda, que conseguiu colocar Luca Marini na 5.ª posição (o seu melhor resultado desde que ingressou na HRC) e o brasileiro Diogo Moreira num excelente 6.º lugar.
Classificação Final – GP da Hungria 2026
Posição Piloto Equipa / Mota Diferença
1.º Marc Márquez (ESP) Ducati Lenovo Team (GP26) 42m 55.325s
2.º Pedro Acosta (ESP) Red Bull KTM Factory Racing +1.343s
3.º Francesco Bagnaia (ITA) Ducati Lenovo Team (GP26) +11.632s
4.º Ai Ogura (JPN) Trackhouse Racing (Aprilia) +15.539s
5.º Luca Marini (ITA) Honda HRC Castrol +18.669s
6.º Diogo Moreira (BRA) Pro Honda LCR +21.794s
Repórter














